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Sexta-feira, 19 de Julho de 2024

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O retrato da mulher na história da sociedade gaúcha

“Nossas avós nos deram o voto, nossas mães nos deram o divórcio e nós daremos às nossas filhas o direito de escolha”

Fernanda Campos - Tradicionalismo
Por Fernanda Campos -...
O retrato da mulher na história da sociedade gaúcha
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O tema de hoje, não podia ser diferente, afinal estamos em março, mês conhecido como da mulher e embora este texto estivesse programado para a semana passada, ainda é válido destacar o dia 08, registrado no calendário como dia internacional da mulher. Mas calma, não é uma data comemorativa como o capitalismo apresenta, na verdade é uma data de reflexão, de análise histórica e de fomentar a luta por igualdade.
 

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A data remete  ao mesmo dia em 1857, quando 129 operárias morreram carbonizadas em um incêndio ocorrido nas instalações de uma fábrica têxtil na cidade de Nova York, iniciado pelo proprietário. Fato é que a figura da mulher é marcada por tristes episódios de humilhação dos mais variados em contraponto a uma extensa história de luta e coragem.
 
No Rio Grande do Sul, especificamente, as mulheres foram retratadas em sua grande maioria como mulheres de fibra, não há como não lembrar de Ana Maria de Jesus Ribeiro, que você deve conhecer como Anita Garibaldi, a mulher que lutou na guerra dos farrapos. Em geral a mulher no contexto popular gaúcho é conhecida por uma figura de força, aquelas que  cuidam e protegem as fazendas nos tempos de guerra, período em que o homem se ausentou da estância, ou ainda como parteiras, benzedeiras e curandeiras. Mas sinceramente, isso me parece “tapar o sol com a peneira”, não estou aqui contrariando que esses perfis de mulheres existiram, no entanto quando falamos de mulheres comuns e tempos sociais de paz, destaca-se que não eram criadas para ocuparem espaços.
 
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“Certamente, existia diferença na criação das crianças por seu gênero. Aos homens o aprimoramento da formação poderia ser um acréscimo para sua carreira, mas esse aprimoramento não fazia parte do cotidiano feminino. Enquanto alguns filhos eram enviados para estudar fora e até mesmo se graduarem por alguma universidade, a educação das filhas dessa elite era voltada para o casamento e para a maternidade, sendo, algumas vezes, também para a vida religiosa. Se aos homens cabiam dois destinos: carreira e/ou casamento, para as mulheres restava apenas o casamento. Se alguma mulher não conseguisse se casar, provavelmente viveria com seus pais e seu papel familiar seria cuidar deles quando doentes” conforme descreve Carla Barbosa em seu artigo “As mulheres da Elite Farroupilha”.
 
Diante disso, curioso dizer que minha mãe, Ligia Costa, relata ter sido criada com muito amor, porém para ser voltada para ser uma “dona de casa”, diferente de seus irmãos homens que próximo aos 14 anos saiam de casa para a cidade grande a fim de trabalhar e estudar, ela não teve essa possibilidade, quando saiu foi para trabalhar  na casa de um dos irmãos e quando casou não pode estudar. Minha mãe era boa aluna, queria ser professora, mas não foi criada para isso. Percebam que estamos falando em uma diferença temporal em torno de 117 anos do período retratado no artigo e o nascimento de minha mãe.
 
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Em 2019, dados do IBGE apresentam que as mulheres brasileiras preenchem 55,3% das pessoas que não tem sua força de trabalho utilizada em totalidade e que ocupam o índice de 64,6% de pessoas não trabalhando, de acordo com Filleti na reportagem “Mulheres no mercado de trabalho: subocupação e informalidade aumentam”.
 
Vejam só, iniciei o texto querendo fazer uma homenagem às mulheres pela passagem da data, mas fui tomada pela importância de conscientização que representa esse dia. Afinal as mulheres sofrem, ainda nos dias de hoje, por no passado terem sido apenas propriedade do pai, depois do marido e dos filhos homens quando estes passavam a substituir o pai nas responsabilidades familiares, e não, não abordei aqui os tipos de violência contra a mulher, mas nesse sentido indico acompanharem o instagram @info.pra.elas da colega de profissão Pietra Weihmann.
 
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Em suma, me parece importante destacar que as mulheres de fibra que marcam a história do Rio Grande do Sul, vão bem além de Anita, temos Nísia Floresta, Ana de Barandas e Marquesa de Alegrete, com histórias que valem a pena serem pesquisadas (quem sabe as conte, em próximas colunas), mas temos também Zulmiras, Élidas, Josefinas, Marias, Rosas, Doras e tantas outras não conhecidas mas que de “grão em grão”, cada uma a seu modo e em seu tempo construíram o mundo que hoje temos, tem uma frase que “rola” pelo facebook de autor desconhecido, que diz assim: “Nossas avós nos deram o voto, nossas mães nos deram o divórcio e nós daremos às nossas filhas o direito de escolha”.
 
 
 

 

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