A Polícia Civil cumpriu na terça-feira (29) um novo mandado de prisão preventiva contra Ramiro Gonzaga Barros, de 36 anos, que está detido desde janeiro na Penitenciária Estadual de Canoas. Natural de Taquara, ele é investigado por diversos crimes sexuais envolvendo crianças e adolescentes em diferentes regiões do país. A nova medida judicial refere-se a uma ex-aluna dele em um projeto social de aulas de circo, em que ele atuava como instrutor.

De acordo com a Delegacia de Polícia de Taquara, a vítima, atualmente com 19 anos, relatou ter sido abusada desde os seis anos, a partir de 2012. Segundo o delegado responsável pelo caso, Valeriano Garcia Neto, o investigado teria se aproveitado do contexto das aulas para cometer os crimes e também atuado por meio virtual, utilizando um perfil falso para extorquir imagens da vítima.
Ao todo, a Polícia Civil já identificou 217 vítimas atribuídas ao investigado, distribuídas por oito Estados. Os crimes apurados incluem estupro de vulnerável, estupro virtual e compartilhamento de material pornográfico infantil. Já foram encaminhados ao Poder Judiciário 60 inquéritos relacionados ao suspeito, que continua sendo alvo de investigação.
O delegado solicita que possíveis vítimas entrem em contato com a Delegacia de Taquara pelo telefone (51) 98443-3481.

O DNA do investigado será o primeiro a integrar a base de dados do Núcleo de Combate à Pedofilia e ao Abuso Infantojuvenil (NUCOPE), recentemente lançado pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP). O núcleo vai operar nas áreas de informática forense, genética forense e perícias psíquicas, com o objetivo de agilizar investigações de crimes contra crianças e adolescentes por meio de cruzamento de dados e análise especializada.
Em nota, a RB Assessoria Jurídica, que representa o investigado, afirmou não ter tido acesso ao conteúdo do novo mandado de prisão até o momento, nem ao número total de expedientes judiciais já encaminhados. A defesa manifestou preocupação com o acesso aos autos e reafirmou o compromisso com o devido processo legal e a transparência nos trâmites judiciais.