O governo dos Estados Unidos anunciou, por meio de carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quarta-feira (9), a aplicação de uma tarifa de 50% sobre todas as exportações brasileiras a partir de 1º de agosto de 2025. A medida foi comunicada pelo presidente norte-americano Donald Trump, que justificou a decisão com base em argumentos políticos e comerciais.

No documento, Trump criticou o tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro pela Justiça brasileira e mencionou decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) contra apoiadores do ex-mandatário que vivem nos Estados Unidos. O presidente norte-americano também acusou o Brasil de manter barreiras tarifárias e práticas comerciais consideradas injustas em relação aos Estados Unidos, defendendo que a nova tarifa tem como objetivo reequilibrar as relações bilaterais.
Trump declarou que a nova tarifa incidirá sobre todos os produtos brasileiros exportados para os EUA, independentemente do setor, e que qualquer tentativa de transbordo para evitar a taxação será igualmente penalizada. Segundo ele, essa política poderá ser ajustada, ampliada ou reduzida, conforme a evolução da relação comercial entre os dois países.

Em resposta, o governo brasileiro afirmou que utilizará os mecanismos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica, sancionada em abril, para adotar contramedidas. A legislação permite suspender concessões comerciais e de investimentos, bem como rever obrigações relacionadas a propriedade intelectual em casos de ações unilaterais que prejudiquem a competitividade brasileira.
O presidente Lula contestou os argumentos apresentados por Trump e disse que o Brasil manterá sua atuação com base na soberania nacional e na defesa de seus interesses. De acordo com dados oficiais citados pelo governo brasileiro, o superávit comercial dos EUA com o Brasil soma cerca de US$ 410 bilhões nos últimos 15 anos.
Ainda na carta, Trump apontou o que classificou como interferência do Brasil nas atividades digitais de empresas americanas, o que levará à abertura de uma investigação nos Estados Unidos. O presidente Lula rebateu as críticas à atuação do STF em redes sociais e declarou que a legislação brasileira é aplicável a todas as empresas, nacionais ou estrangeiras, que operam no país.
A reação do governo brasileiro foi definida em reunião de emergência no Palácio do Planalto, com a participação de ministros das áreas econômica, institucional e internacional, além do vice-presidente Geraldo Alckmin.