A Penitenciária Estadual Feminina de Guaíba (PEFG) passa a contar, a partir de agosto, com uma linha de produção da Indústria de Calçados e Bolsas Guaíba, empresa terceirizada vinculada à calçadista Beira Rio. Inicialmente, 20 mulheres privadas de liberdade foram selecionadas para atuar na unidade, com remuneração equivalente a 75% do salário mínimo e possibilidade de remição de pena — um dia reduzido a cada três trabalhados.

O projeto é fruto de um termo de cooperação com o governo do Estado, com validade de cinco anos, e abrange atividades de acabamento em calçados de couro e confecção de bolsas. As participantes já passaram por treinamento específico.
Uma segunda sala com equipamentos já foi instalada na unidade prisional e poderá receber mais 20 mulheres, conforme a ampliação da produção. A proposta faz parte de uma política estadual voltada à ampliação da ocupação laboral no sistema prisional.

Segundo o secretário estadual de Sistemas Penal e Socioeducativo, Jorge Pozzobon, a meta é elevar de 15 mil para 18 mil o número de apenados em atividade laboral no Rio Grande do Sul. O secretário também informou que novas negociações estão em andamento com empresas interessadas em aderir ao programa.
Além da unidade de Guaíba, o modelo será replicado em outros presídios, como os que estão sendo estruturados em Rio Grande, São Borja e Passo Fundo. Em Ijuí, a empresa Piccadilly também prepara a abertura de uma linha de produção em uma unidade prisional local.
A iniciativa, segundo o governo estadual, responde à demanda de setores industriais que enfrentam dificuldades na contratação de mão de obra, especialmente após alterações nas tarifas de importação aplicadas pelos Estados Unidos.