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Quinta, 21 de janeiro de 2021

🌱 Meio Ambiente

Queda do frontão lateral do Matadouro São Geraldo: o que pode ser feito para revitalizar e aproveitar o espaço?

Local foi tombado pela Prefeitura de Guaíba em 1999 e pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado do RS em 2012

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Colaboração: artigo enviado por Denise Silveira, da AMA Guaíba
Foto: Leonardo Ramos de Oliveira

Dos mais importantes do Estado na época dos Saladeiros, hoje, os prédios antigos do Matadouro São Geraldo sofrem a ação do tempo e precisam de medidas urgentes de contenção/consolidação das ruínas. Pensamos que a área do Matadouro São Geraldo tem uma potência paisagística, ambiental, arquitetônica, cultural e turística capaz de gerar lazer, entretenimento, produção e fruição estética, contemplação da natureza, trabalhos de educação patrimonial e ambiental, atraindo o público da nossa cidade, da região metropolitana e expandindo os atrativos turísticos de Guaíba, Porto Alegre e Costa Doce, movimentando a Economia da Cultura. 

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A construção do Matadouro São Geraldo remonta à década de 1920, e está associada ao apogeu da indústria do charque no Rio Grande do Sul. Em breve, completará 100 anos. E acreditamos que o espaço onde fica localizado tem o potencial para um belo complexo histórico e cultural, se restaurado e revitalizado. 

Outro aspecto que consideramos importante é olhar o passado com os olhos críticos do presente, buscando ressignificá-lo. Por ter sido um Matadouro, torna-se relevante escovar a história a contrapelo, buscando encontrar elementos ocultos na historiografia tradicional, de modo a lançar luz sob aspectos sociais e culturais que podem adquirir novos sentidos na atualidade. Como por exemplo, a lida dos tropeiros; o trabalho dos construtores e operários; a produção em larga escala de uma gama de produtos derivados do abate de animais, bem como a importância cultural e econômica de todos estes fatores. 

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Fechado em 1972, permanece desocupado até hoje, o que causou a deterioração progressiva da edificação. Foi tombado pela Prefeitura de Guaíba em 1999 e pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado do RS – IPHAE – em 2012.  

As intempéries agem sobre as ruínas causando a degradação das estruturas arquitetônicas. Não há mais telhados e muitos frontões já ruíram e caíram como, por exemplo, o frontão lateral esquerdo, próximo à chaminé, em cuja fachada havia a inscrição “Frederico Linck S.A” e que, com as fortes chuvas e intensos ventos do início de julho de 2020, desmoronou. Também existem muitas figueiras, algumas bastante grandes, que estão nascendo pelas paredes das ruínas, nas cumeeiras, e que comprometem as estruturas dos prédios. Podemos observar rachaduras nas paredes e, sobretudo, na chaminé, que apresenta uma larga fenda vertical que vai da base até o topo. 

Faz-se mister que medidas sejam adotadas para a contenção da chaminé e das paredes que ainda estão de pé, com o manejo das pedras e da vegetação, assim como a retirada das figueiras e o restauro das estruturas. 

Acreditamos que este antigo Saladeiro faz parte da história de Guaíba, bem como do Rio Grande do Sul. Justamente por este motivo foi Tombado pelo Município e pelo Estado. Entretanto, o simples tombamento não assegura a preservação do Bem Tombado. Faz-se extremamente necessário que os poderes públicos municipais e estaduais articulem a revitalização deste Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural. Nós da AMA (Associação Amigos do Meio Ambiente) possuímos um projeto conceitual de revitalização e nos colocamos a disposição para contribuir, a partir do diálogo e da construção coletiva de um Projeto executivo e arquitetônico para este espaço do São Geraldo. 

Educação 

A zona em que se encontra o antigo Saladeiro faz parte de um complexo de preservação histórica e ambiental: o polígono de tombamento inclui os terrenos em volta e a Área tombada é vizinha do Parque Municipal Morro José Lutzenberger, uma Unidade de Conservação da Mata Atlântica, extremamente importante e que dá ainda mais valor ao prédio histórico. 

Acreditamos que o potencial paisagístico e ambiental agrega ainda mais valor aos prédios tombados, gerando um complexo que pode ser utilizado para trabalhos de educação patrimonial e ambiental, eventos, espetáculos, visitação turística etc. Pensamos que a simples consolidação das ruínas e a sua preservação já é uma ação de revitalização para, num segundo momento, através de um trabalho que assegure a conservação, a acessibilidade e a segurança na freqüentação do local, se possa pensar em atividades educacionais, culturais e artísticas. Visitas guiadas, com mediadores que dissertem sobre os múltiplos aspectos do espaço; aulas abertas de geografia, história, biologia; workshops fotográficos, aulas de yoga; oficinas de patrimônio, restauro, arqueologia, botânica e zoologia, são possibilidades extremamente viáveis. Que podem, inclusive, ser desenvolvidas em parceria com as redes municipal e estadual de educação, assim como com universidades, além do público em geral. 

Cultura 

Entender a complexidade da Cultura é fundamental para a realização de projetos e trabalhos que visem o fortalecimento cultural de um povo. Cultura não é a penas negócio, nem somente eventos e espetáculos, apesar de que, a partir e através da cultura se possam realizar muitos negócios lucrativos e eventos que proporcionem experiências múltiplas. A cultura, no entanto, é anterior, é formadora, base da construção de uma sociedade e de sua identidade. Acultura é uma espécie de universo simbólico que auxilia o ser humano a dar sentido a sua existência e que não é, em sua totalidade, determinada pelas condições biológicas e naturais de forma geral. 

Nesse sentido, a preservação de equipamentos históricos e ambientais e o trabalho de educação patrimonial e ambiental, auxiliam na construção da identidade cultural. Saber as origens e o desenvolvimento dos aspectos sociais que nos circundam, é fundamental para a construção de uma visão de mundo mais ampla, de uma bagagem cultural mais rica, de uma consciência crítica mais aguda, e de uma capacidade de ação ética e criativa mais efetiva na sociedade. Por isso, acreditamos que o espaço do antigo matadouro é importante para o resgate desses aspectos culturais e sociais de Guaíba e da região. 

Do ponto de vista dinâmico, isto é, com relação ao tipo de atividade, a cultura pode ser analisada sob diversos aspectos, tais como educação, controle social, economia, sistemas de conhecimento, crença e moral, e, também, modos de expressão criativa e artística. A cultura passa definitivamente, a partir de então, a ser compreendida como uma rede complexa de significados que só possuem sentido quando inseridos no cotidiano da vida de um determinado grupo que se utiliza dessa significação para se relacionar consigo mesmo e com seu meio. 

Algumas referências de conservação e uso do patrimônio artístico, histórico e cultural, são as ruínas Guaraní-jesuíticas no Rio Grande do Sul, Argentina e Paraguai, como as de São Miguel Arcanjo, por exemplo, com Museu e espetáculo de Som e Luz, evento que poderia inspirar a realização de algo semelhante em torno das ruínas do São Geraldo em Guaíba.



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