O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Rio Grande do Sul (GAECO/MPRS) cumpriu, nesta terça-feira (27), um mandado de busca e apreensão em Gravataí. A operação, intitulada “Verdade Nua”, teve como foco a apuração de um esquema de extorsão envolvendo o uso indevido de nomes e imagens de autoridades estaduais.
A investigação começou em janeiro de 2025, após uma denúncia feita por uma pessoa residente no estado de Sergipe. Segundo o Ministério Público, a vítima foi abordada virtualmente por um indivíduo que inicialmente se apresentou como um adolescente interessado em manter conversas de teor íntimo. Após o envio de imagens pessoais, a vítima foi contatada por outro número, de onde o golpista se identificou como uma autoridade da área jurídica e alegou que a situação envolvia um menor de idade.

O suspeito, utilizando essa falsa identidade, exigiu valores financeiros com o argumento de evitar supostas medidas legais e de custear apoio psicológico ao menor fictício. A vítima desconfiou da veracidade das informações ao perceber que o número utilizado tinha DDD do Rio Grande do Sul e, por isso, acionou o Ministério Público.
A promotora de Justiça Maristela Schneider, coordenadora do 2º Núcleo do GAECO na Região Metropolitana, lidera a investigação, que também contou com a supervisão do promotor de Justiça André Dal Molin, coordenador estadual do GAECO. O cumprimento do mandado contou com apoio da Brigada Militar e de um cão farejador.
Além do mandado de busca, a Justiça autorizou a quebra de sigilos bancário, telefônico e telemático do investigado, além do bloqueio de contas bancárias e chaves PIX utilizadas na tentativa de extorsão. O suspeito, de 23 anos, reside em Gravataí, utiliza tornozeleira eletrônica e responde a processos por outros delitos, incluindo tentativa de homicídio.

Segundo o Ministério Público, o investigado já teria utilizado nomes de diversas autoridades, como promotores, juízes e policiais civis e militares, em tentativas semelhantes de golpe. A operação também busca identificar outras possíveis vítimas e eventuais participantes.
O MPRS reforça que nenhuma autoridade pública realiza contato direto com cidadãos para solicitar pagamentos ou acordos extrajudiciais, e que casos como este devem ser denunciados imediatamente.
Orientações para prevenção e denúncia:
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Evitar troca de imagens íntimas com desconhecidos.
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Desconfiar de perfis com poucas informações ou contatos.
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Nunca realizar transferências financeiras sem verificação da identidade da pessoa.
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Em caso de suspeita de golpe, registrar boletim de ocorrência e contatar o Ministério Público.
Canais de denúncia:
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E-mail: atendimentovitimas@mprs.mp.br
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Telefone em Porto Alegre: (51) 3295-1100
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Promotorias de Justiça no interior do Estado: contatos disponíveis no site do MPRS
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Site: canal de denúncias em www.mprs.mp.br