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Quinta, 13 de maio de 2021

Coluna

A ela toda minha gratidão: o Dia Internacional da Dança e a importância desta arte no mundo e no RS

“Pra quem respira dança, ela é ar a inspirar paixão. É sangue que invade o peito e alimenta o coração” - DTG Clube Juventude

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O dia 29 de Abril é o Dia Internacional da Dança, criado em 1982 pelo Comitê Internacional da Dança (CID) da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO). A data foi escolhida para homenagear o nascimento de Jean-Georges Noverre, um mestre do balé francês. No Brasil, por coincidência, Marika Gidali, bailarina co-fundadora do Ballet Stagium em São Paulo, também nasceu neste dia.

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Historicamente a dança está presente na cultura de todos os povos, cada um a seu modo e em seu tempo, há indícios de pinturas rupestres que já representavam os povos dançando. Foi muito utilizada para cultuar deuses, a exemplo do Brasil, no período colonial os povos africanos escravizados dançavam para homenagear seus orixás, ainda hoje a dança continua sendo utilizada em comemorações religiosas das mais variadas.

No tradicionalismo, a dança como conhecemos, surge como um dos fatores principais para recuperação da cultura do povo gaúcho, quando então Paixão Côrtes e Barbosa Lessa iniciam as pesquisas sobre danças tradicionais, bem como Antonio Fagundes também contribuiu para consolidar essas coreografias, que os primeiro sapateadores do 35 CTG chamavam de tradicionais, ocasionando no “Manual de Danças Tradicionais”. O primeiro publicado continha as seguintes: Chimarrita, Pézinho, Caranguejo, Cana-verde, Maçanico, Quero-Mana, Rilo, Meia-Canha, Pericom, Chotes, Chote de Duas Damas, Rancheira, Rancheira de Carreirinha, Terol, Pau-de-Fita, Tirana do Lenço, Anú, Balaio, Tatu, Chimarrita Balão e Chula. 

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Ressalta-se que “As danças que, outrora, foram de elite urbana européia, depois da elite urbana brasileira, depois da elite urbana rio-grandense, finalmente do meio rural rio-grandense, onde desapareceram ou quase desapareceram; mas que, há um quarto de século, ressurgiram como danças tradicionais – ou “projeções folclóricas” - […] (CÔRTES, 1997)
As principais característica das danças tradicionais são:

Nos sapateiros existe o Bate- pé, que é executado sempre de toda a planta do pé no solo. Geralmente executa-se o bate- pé alternando as batidas no solo com um pé e outro. E assim os peões vão formando sapateados através das bases que possuem: o Sapateio Simples, Sapateio Continuado simples e o Sapateio Mancado. (OURIQUE, 2010). O sarandeio é um elemento coreográfico que tem por finalidade explorar a graça feminina. Assim sendo, os “passos” do sarandeio não se limitam por esquemas ou explicações pormenorizadas: o limite do sarandeio é a própria graça da gauchinha, e se desenvolve livremente de acordo com as possibilidades individuais. (CÔRTES, 1997).

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Tudo isso foi ganhando um espaço tão grande no âmbito tradicionalista que hoje existem festivais espalhados pelo Estado e pelo mundo para divulgação e apresentação da nossa cultura. Mas a dança, não se resume a festivais e rodeios e foi pensando nisso que dois momentos “fora dos tablados” me ecoaram a mente: O primeiro em 2018, quando meu grupo de danças, do CTG Cruzeiro do Sul foi convidado pela querida Maris Strege, para dançar no amanhecer do dia 29 de abril na Orla do Guaíba. Assim, às 4:30 da manhã estávamos em um pequeno grupo de sujeitos pilchados a bailar enquanto o sol nascia para um novo dia. É muito difícil descrever o que sentimos naquele amanhecer, palavras não são capazes, só mesmo os registros do olhar da Maris.

O segundo momento foi o Flash Mob tradicionalista realizado no shopping Total e Barra Shopping Sul em setembro do mesmo ano, como movimento de divulgação do festival de danças Paixão Cortes. Dançar, com roupa comum, na rosa dos ventos central do Barra Shopping Sul e ao olhar para cima ver diversas pessoas admirando, foi realmente muito especial.

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Não me entendam errado, meu coração palpita forte pelo ENART, pelo FEGADAN e tantos outros, ele “galopa” quando se fala em dançar nos festivais internacionais, mas todos estes são locais propícios para essa cultura, feito em grande maioria para pessoas que já admiram e praticam essa parte da tradição. Agora, quando o assunto é levar a arte onde ela não estaria, sinto um encantamento diferente. A ti, dança, toda a minha gratidão!



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