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Conhecendo mais sobre o Tropeirismo antigo e moderno: Porto de Rio Grande realiza sua maior embarcação de bovinos

Eles foram fundamentais para o início de muitas regiões do Brasil, abrindo estradas e ajudando a formar novas cidades

Existe uma música que retrata um filho observando o pai no fim da vida, enquanto o pai recorda os tempos que foi tropeiro, assim nos últimos instantes de vida relembra sua trajetória nessa lida. De autoria do saudoso Teixeirinha, a qual particularmente gosto muito, em que canta-se: “Sentado a beira do fogo sentindo o peso da idade, tão triste o velho tropeiro quase morto de saudade”.

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Tenho carinho especial por ela, pois meu avô era tropeiro, e sempre quis chegar aos 80 anos e fazer uma festança em seu galpão. No entanto, em 2003, em um desses momentos inesperados da vida, fechou os olhos cansados, dando sentido a música. Recordo-me das histórias que ele contava ao pé do fogo, enquanto mateava. Sobretudo uma história específica, sobre uma vez que varou a noite atrás de um boi perdido. Ele contou essa história tantas vezes, de tantas formas, em tantos momentos no decorrer da doença, que embora eu fosse criança ainda posso ouvir a sua voz calma.

Os tropeiros foram fundamentais para o início de muitas regiões do Brasil, e aqui no Sul não foi diferente. Há indícios que determinam o início da atividade no Séc XVII, e primeiramente tinham a responsabilidade de transportar o Ouro e posteriormente a compra e venda de gado, mas as atividades do tropeiro foram muito além disso na história. Inclusive diversas estradas foram abertas por eles, como por exemplo a conhecida Serra do Rio do Rastro em Santa Catarina, e muitas cidades surgiram de povoados fundados dos chamados “Pousos” dos tropeiros. Ou seja, o local onde eles paravam para descanso dentro do trajeto que percorriam, onde começou a se estabelecer “comércios” a fim de suprir as necessidades dos tropeiros. Podemos destacar as cidades de Viamão, Vacaria e Lages.

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Em 2018, “Tropeiros” foi o tema dos Festejos Farroupilhas, destacando assim a importância do Tropeirismo para o estado, bem como foi o tema da mostra folclórica e uma das temáticas para prova oral do concurso do município de prendas e peões do mesmo ano, sendo belamente abordado e apresentado os costumes e características destes ícones da história gaúcha.

Considera-se que a atividade esteve ativa até o séc XX, no entanto, o comércio de bois não acabou com o fim das tropeadas, o que ocorre é que atualmente a tecnologia permite outras formas de se conduzir a boiada ao seu destino.

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E foi neste sentido que o Porto de Rio Grande realizou recentemente o maior embarque de bovinos da sua história. O embarque teve duração de 4 dias para acomodar todos os bovinos, encerrando na segunda-feira (14/9). Ao total foram enviadas 26 mil cabeças de gato para Turquia e Líbano, em um navio de 201 metros de comprimento e 32 de largura., tudo dentro das normas estabelecidas pelo Ministério da Agricultura e com as devidas condições sanitárias, sendo os animais acompanhados por médicos veterinários durante a embarcação e viagem, que durará em média 20 dias.

Embora não se tenha mais as tropeadas que meu avô tanto amava, como também descreve a música “Tropeiro Velho”, suas atividades foram fundamentais para a economia naquele período e deram origem a atividade realizada atualmente. Os bois já não são guiados por “Era boi, Era boiada”, mas seguem sendo transportados de um local ao outro, como faziam os tropeiros, só que agora com auxílio da tecnologia. Melhor ou pior, não sei dizer, mas são os tempos modernos e todas as suas facilidades.

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Veiculação de conteúdo: Guaíba Online não responde ou emite juízo de valor sobre a opinião de seus colunistas. Os colaboradores são autores independentes convidados pelo portal. As visões de colunistas podem não refletir necessariamente as mesmas da plataforma Guaíba Online.

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Conhecendo mais sobre o Tropeirismo antigo e moderno: Porto de Rio Grande realiza sua maior...

Existe uma música que retrata um filho observando o pai no fim da vida, enquanto o pai recorda os tempos que foi tropeiro, assim nos últimos instantes de vida relembra sua trajetória nessa lida. De autoria do saudoso Teixeirinha, a qual particularmente gosto muito, em que canta-se: “Sentado a beira do fogo sentindo o peso da idade, tão triste o velho tropeiro quase morto de saudade”.

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Tenho carinho especial por ela, pois meu avô era tropeiro, e sempre quis chegar aos 80 anos e fazer uma festança em seu galpão. No entanto, em 2003, em um desses momentos inesperados da vida, fechou os olhos cansados, dando sentido a música. Recordo-me das histórias que ele contava ao pé do fogo, enquanto mateava. Sobretudo uma história específica, sobre uma vez que varou a noite atrás de um boi perdido. Ele contou essa história tantas vezes, de tantas formas, em tantos momentos no decorrer da doença, que embora eu fosse criança ainda posso ouvir a sua voz calma.

Os tropeiros foram fundamentais para o início de muitas regiões do Brasil, e aqui no Sul não foi diferente. Há indícios que determinam o início da atividade no Séc XVII, e primeiramente tinham a responsabilidade de transportar o Ouro e posteriormente a compra e venda de gado, mas as atividades do tropeiro foram muito além disso na história. Inclusive diversas estradas foram abertas por eles, como por exemplo a conhecida Serra do Rio do Rastro em Santa Catarina, e muitas cidades surgiram de povoados fundados dos chamados “Pousos” dos tropeiros. Ou seja, o local onde eles paravam para descanso dentro do trajeto que percorriam, onde começou a se estabelecer “comércios” a fim de suprir as necessidades dos tropeiros. Podemos destacar as cidades de Viamão, Vacaria e Lages.

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Em 2018, “Tropeiros” foi o tema dos Festejos Farroupilhas, destacando assim a importância do Tropeirismo para o estado, bem como foi o tema da mostra folclórica e uma das temáticas para prova oral do concurso do município de prendas e peões do mesmo ano, sendo belamente abordado e apresentado os costumes e características destes ícones da história gaúcha.

Considera-se que a atividade esteve ativa até o séc XX, no entanto, o comércio de bois não acabou com o fim das tropeadas, o que ocorre é que atualmente a tecnologia permite outras formas de se conduzir a boiada ao seu destino.

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E foi neste sentido que o Porto de Rio Grande realizou recentemente o maior embarque de bovinos da sua história. O embarque teve duração de 4 dias para acomodar todos os bovinos, encerrando na segunda-feira (14/9). Ao total foram enviadas 26 mil cabeças de gato para Turquia e Líbano, em um navio de 201 metros de comprimento e 32 de largura., tudo dentro das normas estabelecidas pelo Ministério da Agricultura e com as devidas condições sanitárias, sendo os animais acompanhados por médicos veterinários durante a embarcação e viagem, que durará em média 20 dias.

Embora não se tenha mais as tropeadas que meu avô tanto amava, como também descreve a música “Tropeiro Velho”, suas atividades foram fundamentais para a economia naquele período e deram origem a atividade realizada atualmente. Os bois já não são guiados por “Era boi, Era boiada”, mas seguem sendo transportados de um local ao outro, como faziam os tropeiros, só que agora com auxílio da tecnologia. Melhor ou pior, não sei dizer, mas são os tempos modernos e todas as suas facilidades.

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