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Sexta, 05 de março de 2021

Coluna

Corpo cheio: como identificar, isolar e afastar o que não lhe é próprio?

Aproxime-se do que lhe faz bem, daquilo que lhe trará algo a ser preenchido em verdade e substancialmente

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Encher um corpo que já está cheio é mais difícil do que esvaziá-lo, ainda que simbolicamente, metaforicamente, subjetivamente [... Gramaticalmente-Sparrow]. As mentes encharcadas de inutilidades têm dificuldades em visualizar outras possibilidades, outras  conjecturas. Algo cheio de nada, um vazio preenchido. A ideia de inutilidade se deve ao fato de que a assimilação está contida em um determinado “pseudo-centrismo” [...Façamos uso da invulnerabilidade criativa, ao qual nos é proposto por Deleuze]. De certa maneira utilizaremos  este “salvaguarda”, este “ferrolho”, este “invólucro invisível”- Sempre que necessário [...Sugestiva a ideia de invisibilidade adquirida após uma tempestade cósmica]. Claro que nem  todas as ideias são boas, nem todas as opções são plausíveis e nem todos os acessos são divergentes e, graças aos nossos deuses da “filosofia barziniana”, nem todos são convergentes, contudo temos a absoluta certeza de que nem todos os preenchimentos são ruins.

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Certo, mas como, realmente como identificar, isolar e afastar o que não lhe é próprio? Aproxime-se do que lhe faz bem, daquilo que lhe trará algo a ser preenchido em verdade e substancialmente, perante o propósito e a compreensão de que “ademais, toda substância é como um mundo inteiro e como um espelho de Deus ou mesmo de todo o universo, que ela  exprime cada uma à sua maneira, quase como uma mesma cidade é diversamente representada segundo as diferentes situações daquele que a olha”. (LEIBNIZ, 2019, p. 21).

Proponha-se ao novo, ao inesperado, mas fundamentado em [uma visão além do alcance], um  novo ângulo, talvez aquele em que você tenha que inclinar um pouco a cabeça para visualizar melhor. Proponha-se a não deixar inverdades sobreporem os fatos, e mesmo que não sejam todos e somando as abstenções... É, não são muitos não, mas enfim é necessário rever o  discurso deste pequeno grupo falseado, isso para reafirmarmos aquilo que acreditamos que seja o correto. Claro que, quando olhamos pelas janelas virtuais, observamos um  encolhimento daquilo que seria verdade, um encolhimento do mundo ao mesmo tempo em  que ele se expande e se espreita entre o que é útil e inútil e mais que inútil é quando é  perverso.

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Na festa do asno, a decadência e a estupidez compõem a cegueira ininterrupta, regada aos discursos céticos dos que antes tinham a liberdade. Vá e festeje, “[...] fazei-a por amor a vós mesmos, e fazei-a também por amor a mim [...]” [Zaratustra], mas, ao adentrar  nesta realidade obscura e totalmente insana, traga em suas mãos a “espada justiceira”, não  para enxergar ao além, mas para utilizá-la, tal qual a rainha vermelha faria. Se você encher um copo que já está cheio, não conseguirá visualizar o quanto de substância nova ou velha está no copo, por isso é necessário esvaziá-lo.

 


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