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Domingo, 13 de junho de 2021

Coluna

Em mais um ano de pandemia, os sonhos dos jovens tradicionalistas serão adiados

Contudo, a pandemia não tem a capacidade de destruí-los. Veja o depoimento de Nathália Rodrigues

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Um dos temas que tratamos no mês passado foi sobre o entrevero de peões e as tratativas do MTG juntamente com os concorrentes sobre as possibilidades do evento acontecer. Como dito naquela oportunidade, estavam surgindo várias ideias de como dar vida a este momento tão especial para os jovens tradicionalistas em tempos de pandemia.

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O tema de hoje é uma extensão daquela nossa primeira conversa, especificamente, como estamos no mês de Maio, vamos tratar sobre a “Ciranda de Prendas” que marca o mês todos os anos.Carrega entre vários objetivos a importância de “despertar na criança, o gosto pelas tradições e estimular nas jovens sua gradativa e natural integração no meio tradicionalista, aproveitando a motivação emanada do espírito associativo predominante na Entidade à qual pertence, engajando-a no estudo dos assuntos da cultura sul-riograndense”, conforme regulamento de 2020.

O concurso acontece nos mesmos moldes do Entrevero, mas para prendas de categoria Mirim, Juvenil e Adulta. As provas consistem em prova cultural dividida em escrita e oral; prova artística, onde apresentam uma dança tradicional, uma dança de fandango e podem declamar, tocar ou cantar; avaliação da mostra folclórica, onde a prenda apresenta alguma pesquisa cultural, demonstrando como ocorria antigamente, exemplo: A história das curandeiras no Rio Grande do Sul; e a entrega do relatório, popularmente conhecido como “pasta de vivência”.

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Ocorre que encerrando o mês de maio recebemos a notícia oficial do MTG que, após analisar os formatos que os eventos pudessem ocorrer, optaram pela transferência da Ciranda Cultural de Prendas e do Entrevero Cultural de Peões, agora para 2022. A decisão ainda será submetida à Convenção Extraordinária.

Desde que o ano iniciou, eu estava contando os meses para Maio. Não tive a oportunidade de participar da Ciranda e atualmente alcancei a idade máxima para inscrição, a qual não vou informar para você não descobrir quantos verões eu já tenho, mas gostaria de reforçar a frase que disse em alguma coluna anterior e virou um lema, neste momento: A pandemia pode adiar sonhos mas não tem a capacidade de destruí-los! 

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A verdade é que eu esperava ansiosamente para escrever esta coluna neste mês tão especial, porque já tinha intenção em dividir o espaço com a guaibense, amiga e querida Nathália Rodrigues, que foi 3ª Prenda Juvenil (2012/2013) e 3ª Prenda (2017/2018), ambas as gestões estaduais e carrega um legado de faixas e histórias. Por isso, encerro aqui minhas palavras, cedendo o espaço para a mensagem desta prenda aos jovens tradicionalistas, mais carinhosamente, as prendas que aguardam a sua ciranda:

Do coração de uma prenda estadual para todas as prendas

O outono de cada ano sempre traz consigo o mágico mês de maio, e só quem é ou já foi prenda sabe exatamente a energia e os sentimentos que este período transborda! A Ciranda Cultural de Prendas realizada tradicionalmente no mês de maio de cada ano até o ano de 2020 – visto que a pandemia de Covid-19 inviabilizou sua realização – é um marco na vida de muitas meninas, jovens e mulheres que sonham em representar a mulher gaúcha, propagar os valores e costumes do Rio Grande do Sul e principalmente, representar com todo amor, carinho e ternura a sua região tradicionalista, a sua comunidade local, as suas origens.

Tive a grande oportunidade de ter sido prenda do Rio Grande do Sul em dois grandes momentos da minha vida, aos 16 anos e aos 21 anos, como 3ª Prenda Juvenil do RS gestão 2012/2013 e 3ª Prenda do RS em 2017/2018, respectivamente. E, sem dúvidas, não apenas os cargos, mas a trajetória tradicionalista me proporcionou momentos incríveis, me apresentou pessoas extraordinárias e me oportunizou vivenciar uma bagagem cultural nos mais diversos cantos do estado, com lugares fantásticos, povos acolhedores e repletos de histórias.

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Desde que me tornei uma prenda de faixa (no auge dos seis anos de idade), o mês de maio sempre correspondeu a materialização de tudo aquilo que sonhávamos conquistar, pois embora a Ciranda Cultural representasse o início ou o fim dos ciclos, ela também reflete o grande trabalho, esforço, horas de dedicação e batalha que cada alma feminina se propõe a passar durante anos de preparação. Digo isso, porque já vivenciei muitas Cirandas e nem sempre galguei o título, mas sempre saí como vencedora, uma vez que um evento desta magnitude somente proporciona benefícios, momentos, sabedoria e muitas amizades entre as candidatas. E sentimentos e vitórias imateriais são os aspectos que aquecem o coração, dão força para seguir acreditando na realização dos sonhos, verdadeiramente representam o Movimento Tradicionalista Gaúcho e a própria espécie humana!

O tradicionalismo gaúcho sempre fez parte da minha vida e ter sido prenda de faixa participante de uma Ciranda Cultural de Prendas ampliou meus horizontes para a busca consolidada na realização dos meus objetivos, especialmente fortalecendo a capacidade e força que por ora desacreditamos ter! No livro Transformando Suor em Ouro de autoria do técnico multicampeão do voleibol Brasileiro, Bernardo Rezende, há um trecho que sempre norteou a minha trajetória tradicionalista: “... A vontade de se preparar tem que ser maior do que a vontade de vencer. Vencer será a consequência de uma boa preparação!”, por vezes, o autor ainda cita a importância da jornada estabelecida no seguimento escolhido e que chegar ao ‘pico da montanha’ durante a trilha é maravilhoso, mas que todo caminho percorrido, renúncias feitas e obstáculos transcorridos para chegar até lá, é o que torna tudo excepcional! E o tradicionalismo é a exemplificação perfeita para essa teoria pautada de muita entrega, vivência, intensidade e humanidade! Os momentos, lugares, pessoas, eventos, ações e atividades desenvolvidas que envolvem este ciclo são incomparáveis e imensuráveis, são lembranças e experiências que levarei para o resto da vida!

Portanto, sempre serei grata ao Movimento por tanto! Especialmente porque a mulher que me tornei é a soma de tudo que vivi enquanto prenda, gaúcha, amante dessa cultura e disseminadora dos nossos costumes! Fundamentando esse aspecto, à você, que é menina, jovem, mulher, prenda, eu insisto que nunca desista dos seus sonhos e sempre que puder, faça o que estiver ao seu alcance para realizá-los! Não esqueça da sua jornada, das pessoas que amam vocês e que farão tudo para vê-las felizes, preserve sempre a sua essência, defenda o que você acredita e seja feliz! Jamais esquecendo que a trajetória e todos os momentos que você viverá é o que torna o processo tão especial! Afinal, não existe “ex-prenda”, ser prenda é para sempre, ser prenda é um estado de espírito, é para vida!
Um grande abraço virtual! Se cuidem ao máximo...

Com todo carinho e amor, de uma sempre prenda, Nathália Rodrigues.

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