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Quinta, 22 de abril de 2021

Coluna

Não há vacina contra uma destruição ambiental

Afinal de contas, se a natureza não tiver futuro, nós também não teremos

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Em meio à pandemia de Covid-19 e à crise socioeconômica que já afeta a todos os habitantes do planeta, infelizmente, não se pode ignorar outro problema grave que impacta o mundo todo: a crise climática. 

Causada pela emissão excessiva de Gases de Efeito Estufa (GEE), como o dióxido de carbono (CO2) e o metano (CH4), em atividades como o desmatamento, a queima de combustíveis fósseis em transportes ou para a geração de energia (como petróleo, carvão mineral e gás natural) e em práticas insustentáveis em agricultura e pecuária, a crise climática é uma realidade para a população mundial há, no mínimo, 30 anos. 

Segundo o Relatório Global de Riscos 2021 do Fórum Econômico Mundial, lançado em 19/01/2021, essas mudanças climáticas estão entre os principais riscos à humanidade. Na projeção da organização para a próxima década, as possibilidades de fracasso da ação climática, climas extremos, perda irreversível de biodiversidade estão à frente de armas de destruição em massa, de crises de subsistência e de débito, perdendo apenas para doenças infecciosas como Covid-19, HIV, Sífilis, Sarampo e Poliomielite, ameaçando reduzir anos de progresso na redução da pobreza global, da desigualdade, além de gerar mais danos à coesão social e cooperação global, as quais estavam enfraquecidas antes de o novo vírus atacar. 

O impacto ambiental causado pela humanidade também aparece como um dos riscos mais prováveis de afetar a cada indivíduo diretamente, seja humano, animal ou vegetal, nos próximos dois anos e seus impactos serão contínuos pelas próximas décadas, ou seja, como não há equilíbrio, todos os ecossistemas estão ameaçados. Cuidar do nosso planeta nunca foi tão urgente!

Por anos se ignora essa crise silenciosa, que destrói nossa biodiversidade, mas o colapso global do coronavírus vem servindo como alerta para os riscos que as inter-relações desequilibradas com a natureza podem causar. 

O depoimento de Mariana Napolitano, gerente de ciências do WWF-Brasil ressalva que as doenças infecciosas emergentes e as mudanças climáticas tem um fator importante em comum: a mudança no uso da terra ou desmatamento. Assim, evitar a crise climática também é evitar que todos os indivíduos vivos sofram com novas zoonoses. 

Já Alexandre Prado, diretor de Economia Verde do WWF-Brasil, complementa que a transição para uma economia mais justa e equilibrada em sua relação com o meio ambiente não pode mais ser adiada, sendo preciso unir a sociedade, cobrar dos governantes e empresas que cada um faça a sua parte.

Não se deve arriscar outra década prejudicial para a natureza, não apenas pela conservação das florestas e da vida selvagem, mas pela nossa própria sobrevivência. E 2021 é o momento, mais do que nunca é preciso mudar a rota. 

Afinal de contas, se a natureza não tiver futuro, nós também não teremos.

E a vacina? De que adianta uma vacina tecnológica, com estudos e dedicação de cientistas em cooperação mundial se não há uma vacina contra a ganância, o individualismo, o egoísmo e a prepotência e se não houver uma mudança de comportamentos em cada um, em cada família, em cada grupo de trabalho? Sugiro repensarmos o futuro!

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