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Quarta, 19 de janeiro de 2022

Coluna

Um teste no cenário diplomático: o que esperar do Brasil da COP-26?

Nós, comprometidos com as causas ambientais, ficamos na expectativa de ações e não mais discursos na esfera da imaginação

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Em 2021, o Reino Unido sediará a conferência que é considerada determinante para o controle das mudanças climáticas do planeta. O encontro será em Glasgow, na Escócia, de 31 de outubro a 12 de novembro e a expectativa é que levará os líderes mundiais a gerar grandes mudanças no nosso dia a dia.

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São esperadas cerca de 25 mil pessoas em Glasgow, incluindo ambientalistas, negociadores e jornalistas, além dos líderes mundiais. Milhares de ativistas e empresas também participarão de eventos e realizarão protestos.

O evento global será mais uma chance para o Brasil tentar reverter a imagem negativa em termos ambientais frisada desde o início do governo Bolsonaro e manchada na reunião da ONU em setembro deste ano. Para especialistas, se o Brasil quer ter chances de reverter a realidade ambiental do país, que sofre com recordes de queimadas, desmatamento e as políticas públicas não dão sustentação aos discursos proferidos internacionalmente, precisará dar demonstrações concretas de que está comprometido com a preservação ambiental no atual cenário e não somente no futuro.

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Para essa conferência, 200 países deverão apresentar seus planos de corte de emissões atmosféricas até 2030, já que desde o acordo de Paris em 2015, concordaram em promover mudanças para manter o aquecimento global muito abaixo de 2°C acima dos níveis pré-industriais - e tentar atingir 1,5°C - para evitar uma catástrofe climática, até chegar à neutralidade nas emissões de carbono em 2050.

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Fonte: Universidade da Califórnia Berkeley/ BBC Brasil

Diante da realidade de um planeta cada vez mais quente e demonstrada no gráfico da Universidade da Califórnia, tanto o Brasil como outras nações poluidoras precisam de ações práticas e de imediato, já que são cobradas pelas ações adiadas contra o aquecimento global, desmatamento, instituição de políticas de energia limpa, etc., que ficaram no discurso em 2020 e vão ao desencontro do Acordo de Paris.

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Já com pose de pavão, o novo ministro de Meio Ambiente Joaquim Leite promete que o país terá “posição de destaque” e “trabalhará para promover o crescimento verde”. A aposta do Brasil está nos chamados “empregos verdes” e no álcool como substitutivo à gasolina e diesel. Para a ONU, objetivo do governo federal deveria ser a implementação de ações práticas e metas contundentes para toda a cadeia produtiva verde, incluindo incentivos tributários às empresas que remodelassem a produção e equipar os órgãos de pesquisa e fiscalização.

Em vários eventos internacionais, o Brasil se comprometeu a reduzir 43% das emissões de carbono, no período de 2005 a 2030, porém essa meta é considerada pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) insuficiente para que haja diferença no planeta. Na prática, além de não estar fazendo nada dentro daquilo que assumiu como compromisso, o Brasil precisa aumentar sua meta para 50% de redução e fazê-lo em termos de redução absoluta, porque o país tirou do documento que vai ser levado para a Escócia exatamente a previsão de que essa redução se faça em caráter absoluto.

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A maioria dos países submeterá seus planos de redução de emissões antes do início da conferência, sendo possível avaliar se o mundo dialoga para alcançar a meta do Acordo de Paris, apesar de esperados novos anúncios de práticas.  A expectativa é que as propostas sejam técnicas, incluindo regras que ainda são necessárias para implementar o Acordo de Paris, como:

  • Mudança mais rápida do modelo de transporte público e privado para uso de carros elétricos; 
  • Acelerar a eliminação da energia a carvão;
  • Minimizar o corte árvores para favorecimento da biodiversidade;
  • Proteger mais pessoas dos impactos das mudanças climáticas, financiando, por exemplo, sistemas costeiros de defesa contra eventos climáticos adversos.

Ainda no campo das discussões, é esperado que haja diálogo sobre os recursos financeiros e a justiça climática, já que países em desenvolvimento tendem a poluir menos e não são responsáveis pela maior parte das emissões do passado, porém são estes os principais afetados pelas consequências das mudanças climáticas em atividade.

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Uma batalha será travada pelos países desenvolvidos sobre as compensações para países em desenvolvimento afetados pelas mudanças climáticas. Países ricos anteriormente prometeram US$ 100 bilhões/ano para auxiliar nações menos favorecidas até 2020, o que não se viu em virtude da pandemia de SARS-COV-19.

 Para o diretor-executivo do Instituto Global Attitude, representante da sociedade civil na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2021, Rodrigo Reis, a postura da comitiva brasileira na COP-26 será ainda um teste no cenário diplomático, afirmando que a presença do Brasil no evento não será somente relacionada ao clima, mas uma prova de relações internacionais para ver como vai se posicionará num palco multilateral.

Enquanto isso, nós brasileiros e comprometidos com as causas ambientais ficamos na expectativa de ações primárias e não mais discursos na esfera da “imaginação.”

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