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Sexta, 26 de fevereiro de 2021

Coluna

Vai por mim: a moda influencia em sua vida muito mais do que tu imaginas

“Por que eu deveria me importar com a moda já que esse mundo das passarelas e do glamour são tão distantes de mim?”

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“Por que eu deveria me importar com a moda já que esse mundo das passarelas e do glamour são tão distantes de mim?” Provavelmente tu já te fez essa mesma pergunta. E é óbvio, em algum momento da vida, ela fez total sentido; porém, a partir desse momento, venho te contar como a moda afeta nossa vida e principalmente o nosso dia a dia. Essa é pra nunca mais esquecer, ta? Afinal, já diria Albert Einstein: “Uma mente que se expande a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original”.

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O surgimento da roupa vem há mais de 600 mil anos a.C. A necessidade de se proteger do frio, chuva, calor, esconder as partes íntimas… se proteger do mundo externo como um todo, é um fato.

Ao longo do tempo, diversos acontecimentos foram marcantes e determinantes para a construção da moda atual e também do uso da roupa em si. Pode-se falar sobre a tecelagem na Mesopotâmia; o uso estratégico das vestes pelos faraós no Egito; a simbologia das peças usadas pelos Romanos; a proibição de determinadas cores e tecidos para a fabricação de roupas para a burguesia no início do Renascimento Europeu… Diversos fatos que apontam para uma única direção: exclusividade e diferenciação social. Guarda bem esse ponto aqui, tá? Vai fazer sentido mais pra frente.

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Movimentos históricos importantes influenciaram no uso e na fabricação das roupas que usamos até hoje: na Revolução Industrial deu-se início a fabricação de tecido em larga escala; o jeans (originalmente chamado Denim) foi tomando forma para o renome que possui hoje. Agora, trazendo para um contexto mais moderno: a década de 1920 evidenciou o batom, saias mostrando as pernas, silhueta tubular, vestidos leves e elegantes. No período pós Segunda Guerra Mundial, a busca pela feminilidade se manteve em alta após a escassez dos tecidos; e é daqui, deste ponto, que passamos a tomar mais consciência.

Seguindo nesse embalo de retrospectiva, a década de 60 trouxe a tona o rock n’ roll, peças curtas e o estilo unissex; e lá no finalzinho da década ouve o boom que conhecemos como “movimento hippie”. Psicodelismo, saias longas, óculos redondos, tie dye, “paz e amor”, movimento black power… embalado pela expressão social da década anterior, tudo isso fala sobre liberdade, expressão e diferenciação! Saca? Vamos seguir…

Nos anos 80 tivemos o auge das cinturas altas, ombreiras, pregas, neon, leggings; tudo em exagero. Já com a chegada da década de 90, a situação se inverteu: minimalismo,cores neutras, camisetas largas, flanelas, influência da cultura hip hop, e sim, MUITO foco no jeans. Com a chegada dos anos 2000, notou-se uma releitura de todas as tendências apresentadas até então e a construção mais literal e liberta do conceito de estilo. Cinturas baixas, peças decoradas com brilhos, calças skinny e cada vez mais o avanço da cultura de rua. Note que os grandes protagonistas dessas mudanças e trends são os jovens; os movimentos da época; aqueles que mais se preocupam com o contexto social e com a necessidade de se impor no mundo.

 

                ANOS 80                                                    ANOS 90                          ANOS 2000



Para Georg Simmel (1858 - 1918), sociólogo alemão a moda é “[...] imitação de um modelo dado e satisfaz assim a necessidade de aprovação na sociedade […] Mas ao mesmo tempo satisfaz a necessidade de distinguir-se, a tendência à diferenciação [...]”.

Poderia ter trago aqui vários fatores que apontem para a forma como a moda te atinge diariamente mas, o que eu quero dizer com tudo isso? Quero dizer que tu provavelmente (e falo com 99,9% de certeza) nunca estará apenas usando uma roupa “por usar”. Vivemos em um mundo globalizado e a moda é uma poderosa ferramenta de propagação, influência e, principalmente, comunicação. A moda te atinge. Seja pelas tendências lançadas como recentemente tivemos a volta do neon, o animal print, as mangas bufantes ou as camisas de time, mas em todo momento ela te toca. Tu pode até nem usar as peças do momento mas com toda certeza tu veste aquilo com que tu te identifica; e isso é se expressar! É se impor, é se identificar e se distinguir.

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Moda é sim um universo elitista, muito glamour, desfiles, alta costura, grandes marcas e artistas globais, mas também é - e é nesse ponto que quero tocar - sobre vivência, sobre experiência, sobre história, sobre visão de mundo, sobre individualidade e sobre sociedade. 

Está tudo conectado. Basta apenas um momento de reflexão, de aprofundamento, para que tu percebas que moda não se trata sobre um bicho de sete cabeças, um distanciamento literal da tua realidade, mas que sim, ela te acompanha todos os dias e a todo momento. Ela sobrevive e se mantém forte pelo passado, porém ela segue acontecendo no agora.


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