A Embaixada da China no Brasil confirmou, no domingo (4), a habilitação de 183 empresas brasileiras para exportar café ao mercado chinês. A autorização passa a valer a partir de 30 de julho de 2025 e terá duração de cinco anos. A medida amplia a lista de exportadoras aptas a negociar com a China, em um momento em que o setor cafeeiro do Brasil enfrenta novos obstáculos no comércio com os Estados Unidos.

Em 31 de julho, o governo norte-americano anunciou uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, incluindo o café. A decisão foi oficializada por meio de ordem executiva assinada pelo presidente Donald Trump. A alíquota é composta por duas etapas: 10% já anunciados em abril e mais 40% acrescidos no fim de julho.
Cerca de 700 produtos ficaram de fora da sobretaxa de 40%, incluindo suco de laranja, aeronaves, castanhas, petróleo e minérios de ferro. No entanto, o café brasileiro permaneceu sujeito à tarifa integral de 50%, com entrada em vigor prevista para 6 de agosto.
Atualmente, os Estados Unidos são o principal destino do café brasileiro, com importações de 440.034 sacas de 60 quilos apenas em junho, segundo dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). No mesmo período, a China comprou pouco menos de 56 mil sacas. O comércio de café entre Brasil e EUA movimentou cerca de US$ 4,4 bilhões no acumulado de 12 meses até junho.

A China figura como o principal parceiro comercial do Brasil em volume geral de negócios. Já os Estados Unidos se destacam como compradores de outros produtos relevantes, como carne bovina e suco de laranja.
A habilitação das 183 empresas brasileiras pode representar uma tentativa de diversificação dos mercados de destino do café nacional, em resposta às alterações tarifárias norte-americanas.