A previsão meteorológica para os próximos dias indica a formação de um período prolongado de instabilidade no Rio Grande do Sul, com possibilidade de temporais em diversas regiões do Estado entre quinta-feira (16) e o início da próxima semana. A combinação entre uma frente fria estacionada sobre o território gaúcho, elevada disponibilidade de umidade e a atuação de correntes de vento em diferentes níveis da atmosfera deverá favorecer a ocorrência de chuva intensa, descargas elétricas, rajadas de vento e queda de granizo.
Segundo os institutos de meteorologia, os volumes de precipitação e a distribuição das áreas mais atingidas ainda podem sofrer alterações conforme a evolução dos sistemas atmosféricos nos próximos dias. A Defesa Civil Estadual acompanha o cenário e deverá divulgar novos boletins à medida que houver atualização dos modelos meteorológicos.
O período de instabilidade ocorre poucos dias após os temporais registrados na Região Metropolitana durante o último fim de semana, que provocaram danos e deixaram ao menos 720 pessoas desalojadas em Eldorado do Sul, conforme balanço das autoridades locais.
Meteorologistas avaliam que ainda não há elementos suficientes para relacionar diretamente o episódio previsto à atuação do fenômeno El Niño, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Embora o fenômeno tenha influência reconhecida sobre o aumento dos volumes de chuva na Região Sul do país, especialistas apontam que eventos de precipitação intensa normalmente resultam da interação entre diversos fatores atmosféricos.
Entre os mecanismos que devem contribuir para a formação das tempestades está o transporte de umidade oriunda da região amazônica em direção ao Sul do Brasil, associado ao avanço e à permanência da frente fria sobre o Estado durante vários dias consecutivos.
As primeiras áreas de instabilidade devem se desenvolver entre o final da tarde e a noite de quinta-feira, inicialmente nas regiões Oeste, Campanha e Centro do Estado. Nessas localidades, a previsão aponta para chuva forte, elevada incidência de raios, possibilidade de granizo e rajadas de vento entre 60 km/h e 80 km/h. Também não estão descartados registros de queda de árvores, danos à rede elétrica e interrupções pontuais no fornecimento de energia.
Na sexta-feira (17), a área de instabilidade tende a avançar para a Região Central, os vales dos rios Pardo, Taquari e Sinos, além da Região Metropolitana de Porto Alegre. A previsão indica possibilidade de acumulados elevados em curto período, ampliando o risco de alagamentos, especialmente em áreas urbanas com sistemas de drenagem sobrecarregados.
Para essas regiões, os modelos meteorológicos também indicam potencial para rajadas entre 70 km/h e 90 km/h, além da ocorrência de granizo e descargas elétricas. Há ainda previsão de vento persistente em parte da região central do Estado antes da chegada das precipitações mais intensas.
Durante o fim de semana, a frente fria deverá avançar gradualmente em direção ao norte gaúcho, ampliando a área sob risco de temporais. No sábado (18), a instabilidade deve atingir as regiões das Missões, Central, Planalto, Norte e os vales dos rios Pardo e Taquari, com possibilidade de chuva forte, alagamentos, transbordamento de arroios e ocorrência de granizo.
Já no domingo (19), as condições para precipitação intensa devem se concentrar principalmente no Planalto, Norte e Serra, onde as rajadas de vento poderão superar os 80 km/h em pontos isolados.
A previsão indica que o cenário de instabilidade poderá persistir também na segunda-feira (20), especialmente nas regiões das Missões, Norte, Planalto e Serra. A continuidade das precipitações aumenta a possibilidade de elevação dos níveis de rios e arroios, além da ocorrência de novos alagamentos e transtornos relacionados ao fornecimento de energia elétrica.
Para os dias seguintes, os serviços meteorológicos mantêm a indicação de continuidade da chuva no Rio Grande do Sul, embora os acumulados e as áreas mais atingidas ainda dependam da evolução dos sistemas atmosféricos e das próximas atualizações dos modelos de previsão. A Defesa Civil Estadual informou que novos avisos deverão ser emitidos conforme houver maior definição sobre as regiões com maior potencial de impacto.
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