A companhia aérea Azul anunciou a formalização de um conjunto de acordos voltados à reestruturação de sua estrutura financeira. Como parte desse processo, a empresa solicitou acesso ao Chapter 11, mecanismo de recuperação judicial norte-americano, com o objetivo de manter suas operações em funcionamento enquanto reestrutura dívidas e negocia com parceiros estratégicos.
A iniciativa tem como foco a captação de até US$ 950 milhões em investimentos, além da eliminação de aproximadamente US$ 2 bilhões em dívidas. O pacote total de reestruturação, que inclui financiamento durante o processo e capital adicional vinculado à conclusão da reorganização, está estimado em cerca de US$ 1,6 bilhão.

Segundo informações divulgadas pela empresa, participam dos acordos credores financeiros, empresas de arrendamento de aeronaves, e parceiros internacionais, como as companhias aéreas norte-americanas United Airlines e American Airlines. A Azul declarou que bilhetes adquiridos, programas de fidelidade e benefícios aos clientes seguem válidos durante o processo.
A empresa informou que a decisão está relacionada a pressões financeiras acumuladas ao longo dos últimos anos, atribuídas à pandemia de Covid-19, oscilações macroeconômicas e dificuldades na cadeia de suprimentos do setor aéreo. A proposta é utilizar o Chapter 11 para promover ajustes em sua frota e nos contratos de arrendamento, com vistas à criação de uma estrutura operacional mais estável.

Paralelamente à reestruturação financeira, a Azul comunicou em janeiro de 2025, a suspensão de suas operações em 12 municípios brasileiros a partir de 10 de março. As cidades afetadas incluem Campos e Cabo Frio (RJ), Correia Pinto (SC), Crateús, São Benedito, Sobral e Iguatú (CE), Mossoró (RN), São Raimundo Nonato e Parnaíba (PI), Rio Verde (GO) e Barreirinha (MA).
A empresa atribui essas decisões ao aumento dos custos operacionais, à flutuação cambial, à disponibilidade reduzida de aeronaves e à necessidade de ajustes entre oferta e demanda. Também haverá mudanças em rotas já existentes: voos para Fernando de Noronha (PE) serão operados apenas a partir de Recife; de Juazeiro do Norte (CE), os voos passarão a ter como destino o aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP). Em Caruaru (PE), a operação será realizada com aeronaves menores, com capacidade para até nove passageiros.
Os passageiros afetados estão sendo informados e receberão assistência conforme previsto na Resolução nº 400 da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Além das medidas de reestruturação, na semana anterior, Azul e a holding Abra, controladora da Gol, assinaram um memorando de entendimento com o objetivo de iniciar negociações para uma possível fusão entre as companhias. Caso o processo seja concluído, a nova empresa poderá deter cerca de 60% do mercado doméstico de aviação no Brasil.