Pelo menos 146 municípios do Rio Grande do Sul enfrentam escassez de diesel, conforme levantamento preliminar divulgado pela Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), com base em respostas de 323 prefeituras até este domingo (22). A redução no abastecimento está relacionada a efeitos do conflito no Oriente Médio sobre a cadeia global de petróleo, impactando o fornecimento do combustível no Estado.
De acordo com a Famurs, a falta de diesel já provoca a suspensão de obras e de atividades que dependem de maquinário pesado nos municípios, com priorização de serviços considerados essenciais, como o transporte de pacientes. A entidade alerta que, caso o cenário persista, outras áreas poderão ser afetadas.
Em nota, a presidente da Famurs e prefeita de Nonoai, Adriane Perin de Oliveira, informou que há risco de comprometimento do transporte escolar e de deslocamentos para atendimento de saúde fora dos municípios. A federação pretende encaminhar os dados ao governo estadual e solicitar medidas para garantir o abastecimento, com cobrança de ações também em nível federal.
O governo do Estado informou que acompanha a situação, embora o abastecimento de combustíveis não seja de sua competência direta.
Na Capital, levantamento realizado no sábado (21) apontou que ao menos nove dos 23 postos de combustíveis visitados apresentavam falta de produtos ou adotavam racionamento, especialmente de diesel, em diferentes regiões de Porto Alegre.
O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado do Rio Grande do Sul (Sulpetro) informou que o setor enfrenta restrições decorrentes da redução na oferta de produtos refinados e de limitações no fluxo de estoques das distribuidoras. Segundo a entidade, a crise internacional elevou preços e dificultou a importação de combustíveis, impactando o suprimento no mercado interno.
O sindicato destacou que a Petrobras não atende integralmente a demanda nacional com produção própria e que a Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), localizada no Estado, também abastece outras regiões do país. Com o aumento da demanda, foram estabelecidas cotas para retirada de combustíveis pelas distribuidoras, o que tem resultado na priorização de redes contratadas, redução da oferta para mercados não contratados e alterações na logística de transporte.
Ainda conforme o Sulpetro, a combinação desses fatores tem gerado instabilidade no abastecimento e dificultado a previsibilidade de oferta aos postos, com impacto direto no consumidor.
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