Uma história pouco conhecida de Porto Alegre pode estar escondida sob as águas do Guaíba. Trata-se do Presiganga, antiga embarcação utilizada como presídio flutuante no século XIX e que teve participação em acontecimentos ligados à Revolução Farroupilha.
Segundo material divulgado pela Prefeitura de Porto Alegre, o navio teria permanecido na região entre as décadas de 1830 e 1860. Depois desse período, a embarcação praticamente desapareceu dos registros, mapas e da memória da cidade.
O Presiganga ficou marcado pelas condições precárias enfrentadas pelos prisioneiros. Os detentos eram levados por alçapões até um porão escuro, úmido e parcialmente inundado. Conforme os registros históricos apresentados, em determinados pontos a água chegava aos joelhos.
A embarcação também esteve relacionada aos conflitos da Revolução Farroupilha. Quando os farroupilhas controlavam Porto Alegre, prisioneiros imperiais eram mantidos no navio. Com a retomada da capital pelas forças imperiais, revolucionários passaram a ocupar o mesmo espaço.
Entre os personagens relacionados à história está Manuel Marques de Souza, que mais tarde ficaria conhecido como Conde de Porto Alegre. Preso no Presiganga, ele teria articulado uma rede de comunicação com chefes imperiais que permaneciam em liberdade. A movimentação contribuiu para a reação que permitiu aos imperiais retomarem Porto Alegre.
Após o episódio, Marques de Souza escapou e se tornou uma das figuras importantes daquele período. Com o passar das décadas, entretanto, o próprio destino do Presiganga se tornou um mistério.
Estrutura foi localizada no fundo do Guaíba
Em 2020, uma pesquisa realizada por Marlon Borges Pestana apontou a possível existência de uma estrutura submersa no Guaíba. Dois anos depois, uma expedição com participação do mergulhador Geraldo Senna e de Flávio Ramires, comandante do Cisne Branco, investigou a área.
O sonar identificou uma grande estrutura submersa na região. Apesar da descoberta despertar a hipótese de que os vestígios possam pertencer ao antigo Presiganga, o material disponível não permite confirmar definitivamente a identificação da embarcação.
A estrutura estaria nas proximidades da Ponte do Guaíba, a cerca de 150 metros, conforme divulgado pela Prefeitura.
Assim, quase dois séculos depois, o destino do antigo presídio flutuante permanece cercado de dúvidas. A estrutura encontrada mantém viva a possibilidade de que parte dessa história ainda esteja preservada no fundo do Guaíba, à espera de novas pesquisas capazes de esclarecer sua origem.
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