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Segunda-feira, 17 de Agosto 2026
🏥 Saúde

Estudo em Porto Alegre aponta que 84% dos pacientes que descobriram HIV em estágio avançado eram heterossexuais

Pesquisa analisou 1.615 pacientes atendidos no Hospital Nossa Senhora da Conceição entre 2015 e 2024 e defende ampliação das estratégias de testagem para além dos chamados grupos de risco

TVGO - Redação
Por TVGO - Redação
Estudo em Porto Alegre aponta que 84% dos pacientes que descobriram HIV em estágio avançado eram heterossexuais
Foto: GHC/Divulgação
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Um estudo realizado por pesquisadores do Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC), em Porto Alegre, em parceria com a Universidade da Califórnia (UCLA), identificou um perfil diversificado entre pacientes que descobriram ter HIV somente quando a infecção já estava em estágio avançado. Entre os casos analisados, 84% das pessoas recém-diagnosticadas eram heterossexuais.

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A pesquisa avaliou 1.615 pacientes atendidos no HNSC entre 2015 e 2024 em condições graves relacionadas ao HIV. Desse total, 407 pessoas, equivalentes a 25%, receberam o diagnóstico do vírus somente durante a própria internação hospitalar.

Entre os pacientes que descobriram a infecção naquele momento, 49% eram homens heterossexuais e 35% eram mulheres heterossexuais. Segundo os pesquisadores, muitos deles tinham características como emprego, casamento ou união estável e filhos.

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Apenas 10% dos pacientes recém-diagnosticados pertenciam a minorias sexuais ou de gênero, grupos que tradicionalmente são mais contemplados por campanhas de prevenção e estratégias de rastreamento do HIV.

Maioria não apresentava fatores tradicionalmente associados ao risco

Outro dado considerado relevante pelos pesquisadores é que 76% dos pacientes não apresentavam, nos registros analisados, fatores de risco tradicionalmente utilizados como critério para direcionar a testagem.

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Entre os fatores identificados estavam uso de crack ou cocaína, uso de drogas injetáveis, situação de rua, histórico de encarceramento e trabalho sexual.

Para os autores, os resultados indicam que uma parcela significativa das pessoas que vivem com HIV pode não se enquadrar nos perfis tradicionalmente considerados prioritários para a realização do teste.

Diagnóstico ocorreu somente após doenças graves

A pesquisa também identificou as principais condições que levaram os pacientes ao hospital. Entre elas estavam tuberculose, pneumocistose, toxoplasmose cerebral e pneumonia bacteriana.

Essas doenças podem se desenvolver ou apresentar maior gravidade quando o sistema imunológico está comprometido pela infecção pelo HIV sem tratamento adequado.

O diagnóstico tardio, portanto, pode fazer com que o paciente descubra a infecção somente quando já apresenta complicações importantes e necessita de atendimento hospitalar.

Pesquisadores defendem ampliação da testagem

A partir dos resultados, os pesquisadores defendem que as estratégias de diagnóstico sejam ampliadas e não dependam exclusivamente da identificação de pessoas pertencentes a determinados grupos considerados de maior risco.

Entre as medidas sugeridas estão a testagem de rotina com modelo "opt-out", em que o exame é oferecido ao paciente e ele pode optar por não realizá-lo; a testagem motivada pela presença de sintomas ou doenças indicadoras; além da ampliação do acesso ao autoteste e à testagem em farmácias.

A proposta é aumentar as oportunidades de diagnóstico e possibilitar que pessoas com HIV tenham acesso ao tratamento antes do surgimento de complicações graves.

Estudo tem limitações

Os próprios pesquisadores ressaltam que os resultados precisam ser interpretados dentro das características da pesquisa. O levantamento foi realizado em um único hospital, que recebe pacientes em condições graves, o que pode fazer com que o perfil encontrado não represente necessariamente toda a população de Porto Alegre ou do Rio Grande do Sul.

Além disso, parte das informações foi obtida a partir de prontuários e registros de triagem. Dados relacionados à orientação sexual, uso de drogas ou situação de rua podem estar subnotificados, já que dependem das informações fornecidas pelos próprios pacientes e registradas pelas equipes de saúde.

O estudo foi desenvolvido por pesquisadores da Escola de Medicina David Geffen da UCLA em parceria com profissionais do Hospital Nossa Senhora da Conceição e contou com financiamento do National Institute of Mental Health, dos Estados Unidos.

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