“Mãe, será que sou gay?”. Foi esta pergunta que Tristan Oliveira, hoje com 18 anos, fez para sua mãe aos 11. Não foi surpresa para a bibliotecária Débora Jardim, 45, que sempre apoiou seus filhos. Exemplo disto foi quando a Ariel, hoje com 23 anos, revelou que preferia se relacionar com meninas. A história da adolescência dos irmãos teve momentos de dificuldades e preconceito, mas o que não faltou na família foi respeito e luta contra a homofobia. O reconhecimento veio quando a Maioria do Supremo Tribunal Federal votou, na quinta-feira (23), que homofobia é crime.
Ariel assumiu primeiro, com 15 anos. Débora olhou uma foto dela abraçada em uma menina e percebeu uma aproximação diferente das demais. Ao chegar em casa ela assumiu que estava apaixonada por uma garota. O choque do pai, Rafaelle, foi maior. Débora definiu esse momento como um luto psicológico, um choque de quando precisamos nos adaptar a tudo o que representa uma situação como essa.
Os dois irmãos foram criados livremente, abertos um com o outro. Ao se assumirem quase juntos demostraram, com a mesma linha de raciocínio, a liberdade de ser quem são, sem medo de preconceito, apesar de já o terem sofrido. No tempo de escola, Tristan apanhou de alguns garotos, em uma festa, por ter beijado outro menino. Foi uma das noites mais difíceis para a família. Débora chorou por ver os riscos que o filho estava correndo por ser homossexual.
Para Tristan, a decisão da preliminar do STF pela criminalização da homofobia é um grande avanço, pois muitas pessoas caracterizam isso como opinião, mas há diferença entre opinião e discurso de ódio. “Um discurso de ódio direcionado a um grupo é um preconceito. Precisa ser visto pela lei”, defende o jovem. O STF retorna o julgamento nesta quinta-feira (13). Até o momento, seis ministros dos onze foram a favor da criminalização, ou seja, a maioria da corte. A homofobia será punida como racismo até a aprovação de projeto de lei no Congresso Nacional.
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Família de Ariel e Tristan: respeito e atitudes de luta contra homofobia
Maioria do STF já votou pela criminalização do preconceito
Por Pedro Molnar
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