Escolas estão enfrentando um desafio que tem chamado a atenção de professores e equipes pedagógicas: estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio levando bebidas alcoólicas para dentro das salas de aula, muitas vezes armazenadas em garrafas térmicas opacas, que impedem a identificação do conteúdo.
Segundo relatos de educadores, a situação dificulta a atuação preventiva. Sem conseguir visualizar o que há dentro dos recipientes, professores e coordenadores podem perceber o consumo somente quando os efeitos do álcool começam a aparecer.
Alterações de comportamento, cheiro de álcool no hálito e na transpiração e sinais de indisposição estão entre os indícios relatados. Em situações mais graves, estudantes podem apresentar vômitos e passar mal durante as aulas, exigindo a intervenção da equipe escolar.
Bebidas podem sair de casa ou ser compradas nas proximidades
Relatos compartilhados por educadores indicam diferentes formas de acesso às bebidas.
Alguns estudantes afirmariam ter retirado as bebidas da própria residência. Outros relatam ter comprado produtos em estabelecimentos próximos às escolas, inclusive os chamados “copões”, apesar de serem menores de idade.
A eventual venda de bebidas alcoólicas para menores representa uma questão que ultrapassa os limites da escola e envolve também a responsabilidade dos estabelecimentos comerciais e a fiscalização.
Escola precisa trabalhar na prevenção
Diante desse cenário, medidas preventivas podem ser adotadas pelas instituições de ensino. Uma das alternativas discutidas é a exigência de garrafas ou recipientes transparentes, permitindo que funcionários identifiquem o conteúdo levado pelos estudantes.
A escola também deve estabelecer protocolos claros para situações em que houver suspeita ou confirmação de consumo de álcool.
Em primeiro lugar, é necessário avaliar a condição de saúde do aluno. Caso existam sinais de intoxicação ou risco à integridade física, deve ser buscado atendimento médico adequado.
A gestão escolar e a família também devem ser comunicadas, enquanto o episódio precisa ser registrado detalhadamente nos documentos internos da instituição.
Em situações de reincidência ou quando houver indícios de negligência ou outras circunstâncias que exijam proteção da criança ou do adolescente, o Conselho Tutelar pode ser acionado.
Responsabilidade não pode recair apenas sobre o professor
Ao mesmo tempo em que a escola precisa adotar medidas preventivas, especialistas e profissionais da educação defendem que a responsabilidade pela fiscalização não seja simplesmente transferida para o professor.
Uma garrafa opaca, sem qualquer sinal aparente de irregularidade, pode impedir que o docente saiba que existe álcool em seu interior. Exigir que o professor identifique, por conta própria, todo conteúdo escondido em recipientes não transparentes significaria atribuir à categoria uma capacidade de vigilância que nem sempre é possível dentro da rotina escolar.
A questão envolve diferentes agentes: estudantes, famílias, escolas, poder público e estabelecimentos comerciais.
Quando um adolescente consegue comprar bebida alcoólica em um comércio, por exemplo, existe uma questão de fiscalização que não pode ser ignorada. Da mesma forma, quando a bebida é retirada de casa, o contexto familiar também precisa ser considerado.
Proteção exige ação conjunta
O consumo de álcool por menores de idade dentro do ambiente escolar exige resposta rápida, mas também uma abordagem que priorize prevenção, proteção e responsabilidade compartilhada.
Professores precisam estar preparados para reconhecer sinais de intoxicação e saber como agir diante de uma emergência, mas não podem ser transformados nos únicos responsáveis por impedir que produtos sejam introduzidos de maneira deliberadamente escondida na escola.
A docência já reúne responsabilidades pedagógicas, administrativas e de proteção aos estudantes. Por isso, enfrentar o problema exige protocolos institucionais, participação das famílias, acompanhamento dos alunos, fiscalização dos pontos de venda e atuação dos órgãos responsáveis.
Mais do que procurar um culpado dentro da sala de aula, a discussão precisa buscar mecanismos capazes de impedir que menores tenham acesso ao álcool e garantir que, quando uma situação ocorrer, o estudante receba o atendimento necessário e a escola tenha condições adequadas para agir.
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