A história de Ana Raquel Santos da Trindade ganhou repercussão após a mulher ser absolvida pela Justiça ao reagir contra um homem que, segundo os relatos do caso, a manteve em situação de exploração e violência, além de persegui-la por cerca de um ano e meio.
Em 2013, aos 31 anos, Ana aceitou uma proposta de trabalho como massoterapeuta em um suposto spa em Curitiba. A oportunidade havia sido apresentada por Renato Patrick Machado de Menezes, com quem ela havia iniciado um relacionamento após conhecê-lo em Florianópolis.
Ao chegar ao local, porém, Ana teria descoberto que a atividade não correspondia ao que havia sido apresentado. Segundo os relatos do caso, ela permaneceu em uma situação de violência e exploração durante aproximadamente seis meses.
Ainda conforme o histórico apresentado no processo, a mulher teria sido ameaçada de que seu filho, então com quatro anos, seria morto caso tentasse fugir.
Pedidos de socorro
Após conseguir escapar e retornar para Florianópolis, Ana relatou que continuou sendo perseguida por Renato. Durante aproximadamente um ano e meio, ela buscou ajuda das autoridades e registrou 20 boletins de ocorrência, sendo 15 deles na Delegacia da Mulher.
Os registros relatavam situações de violência e ameaças. Ana também solicitou uma medida protetiva, mas o pedido foi negado.
Diante do temor pela própria segurança, ela reforçou a proteção de sua residência e passou a viver sob constante preocupação com uma nova abordagem do homem.
Reação e julgamento
Em 16 de novembro de 2014, Renato teria invadido novamente a propriedade onde Ana estava. Durante a ocorrência, ela efetuou disparos contra o homem. Ele foi atingido e morreu dias depois.
Dois anos mais tarde, em 17 de novembro de 2016, Ana foi submetida a julgamento pelo Tribunal do Júri.
Por unanimidade, os jurados a absolveram, reconhecendo a legítima defesa diante do histórico apresentado e das circunstâncias do episódio.
Durante o julgamento, o próprio Ministério Público reconheceu falhas na atuação das autoridades e na proteção oferecida à mulher antes do confronto.
Questionada posteriormente sobre arrependimento, Ana afirmou que sentia alívio diante da decisão e que preferiria enfrentar as consequências jurídicas a retornar à situação de violência que havia vivido.
O caso voltou a chamar atenção para a importância da proteção às vítimas de violência e para os mecanismos de prevenção e resposta diante de sucessivos pedidos de socorro.
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