As investigações sobre o acidente registrado no Parque de Diversões Las Vegas, em Guaíba, avançaram nesta terça-feira (21) com o desmonte das estruturas instaladas no local e a retirada de peças do brinquedo envolvido na ocorrência. O equipamento, conhecido como “torre”, apresentou falha durante operação na noite de domingo (19), deixando 12 pessoas feridas.
Segundo o Instituto-Geral de Perícias (IGP), componentes considerados relevantes para a apuração já haviam sido recolhidos na segunda-feira (20). O material será submetido a exames técnicos que devem embasar o inquérito conduzido pela Polícia Civil. A perícia busca identificar o motivo da queda e verificar as condições de manutenção e funcionamento do brinquedo.
De acordo com o perito-chefe da Divisão de Engenharia Legal do IGP, Valmor Gomes de Oliveira, ainda não há conclusão sobre a causa do acidente. Conforme os levantamentos iniciais, o equipamento estava em movimento de subida, após completar o primeiro giro, quando ocorreu a queda. O brinquedo operava com dois movimentos simultâneos: elevação vertical e rotação, com posterior descida controlada por sistema de frenagem.
Os técnicos também analisam a temporalidade de eventuais danos estruturais e mecânicos. O laudo deverá apontar se houve falha em componentes, ausência de manutenção adequada ou outro fator relacionado ao funcionamento da atração.
A delegada responsável pelo caso, Karoline Calegari, informou que a polícia solicitou documentos referentes à manutenção do equipamento. Segundo ela, o proprietário do parque não apresentou manual de manutenção nem registros detalhados sobre inspeções periódicas realizadas no brinquedo. O documento é considerado importante para verificar rotinas de segurança e intervenções técnicas anteriores.
Ainda conforme a investigação, peritos identificaram o rompimento de dois cabos da estrutura. No momento do acidente, havia 10 pessoas no brinquedo, cuja capacidade informada era para 20 usuários. A polícia também apura se duas das vítimas estavam fora da atração no instante da ocorrência.
Entre os feridos, 11 pessoas foram atendidas inicialmente no Hospital Regional Nelson Cornetet, em Guaíba. Conforme a unidade de saúde, estavam entre os pacientes cinco crianças, dois adolescentes e quatro adultos. Um homem de 28 anos, transferido para Porto Alegre com fratura na região lombar, recebeu alta. Uma criança de oito anos, com fratura na tíbia, segue hospitalizada e aguarda transferência.
O parque funcionava em área de estacionamento da Havan, na Avenida Nestor de Moura Jardim, no bairro Parque 35. A empresa informou, em nota, que não possui vínculo com a operação do parque e que o espaço era utilizado de forma temporária pelos organizadores.
A Prefeitura de Guaíba informou que o parque possuía alvará temporário de funcionamento, PPCI emitido pelo Corpo de Bombeiros e ART do CREA/RS. Após o acidente, as atividades foram suspensas. O proprietário comunicou às autoridades que a estrutura seria desmontada e não voltaria a operar no município.
A Polícia Civil já ouviu o proprietário e um funcionário do parque. Novos depoimentos, incluindo de vítimas e do responsável técnico, devem ser colhidos nos próximos dias. Dependendo do resultado da perícia, os responsáveis poderão responder criminalmente conforme as conclusões do inquérito.
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