Tutores de animais e integrantes de uma organização de proteção animal registraram denúncias de maus-tratos contra gatos no município de Marau, no norte do Rio Grande do Sul. Segundo a ONG Patas Protetoras, ao menos dez boletins de ocorrência foram formalizados nos últimos dois meses após animais retornarem para casa com ferimentos nas patas.
Os registros mais recentes ocorreram em 18 de fevereiro, quando dois gatos foram encontrados com lesões semelhantes. Um dos casos envolve o gato Mimi, pertencente à tutora Kauane Garmus, de 35 anos. Conforme relato, o animal costumava circular pela área externa da residência e retornou apresentando ferimentos graves em três patas. Após atendimento veterinário, foi constatado que não havia fraturas ósseas, mas sinais de queimadura compatíveis com contato com substância química corrosiva. Também foram identificados ferimentos considerados compatíveis com disparo de chumbinho.
Outro episódio foi relatado pela tutora Cenira Lopes, de 56 anos. A gata Nina apareceu com lesões nas patas dianteiras semelhantes às observadas em outros animais. Segundo a tutora, um caso semelhante já havia ocorrido anteriormente com outro gato da mesma residência.
De acordo com representantes da ONG, a dificuldade em identificar responsáveis e locais exatos dos episódios tem dificultado o avanço das apurações. Os animais seguem em tratamento veterinário para recuperação das lesões.
O delegado Norberto Rodrigues, da Delegacia de Polícia de Marau, informou que a investigação será conduzida após o encaminhamento formal das ocorrências à unidade policial.
Legislação
A legislação municipal de Marau prevê multa administrativa para casos de maus-tratos contra animais, incluindo agressão física, envenenamento, abandono, negligência e ausência de cuidados básicos. O procedimento inicial prevê notificação para regularização da situação em até 30 dias, podendo resultar em penalidades adicionais caso haja descumprimento.
No âmbito federal, a Lei de Crimes Ambientais estabelece pena de detenção e multa para práticas de abuso, ferimento ou mutilação de animais. Desde 2020, crimes cometidos contra cães e gatos passaram a prever pena de reclusão de dois a cinco anos, além de multa e proibição de guarda.
Como denunciar
Denúncias de maus-tratos podem ser encaminhadas ao 3º Batalhão Ambiental da Brigada Militar pelos telefones (54) 3335-8350 e (51) 98437-6920, ambos com atendimento também via WhatsApp. Relatos também podem ser enviados diretamente à ONG Patas Protetoras por meio das redes sociais da entidade.
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