A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou nesta segunda-feira (14) a Operação VoIP & Cloud, voltada ao combate a um grupo investigado por aplicar golpes por meio de plataformas falsas de leilão de veículos. A ação foi conduzida pela 2ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana, por meio da 1ª Delegacia de Polícia de Canoas, com apoio da Polícia Judiciária de São Paulo.
Durante o cumprimento de mandados judiciais em Embu das Artes, na região metropolitana paulista, um homem foi preso. Segundo a investigação, ele seria responsável pela estrutura tecnológica utilizada pelo grupo. Uma mulher apontada como integrante do esquema não foi localizada e é considerada foragida.
As apurações se estenderam por mais de um ano e buscaram identificar os responsáveis por sites que simulavam leilões oficiais e utilizavam referências visuais de instituições públicas e empresas do setor para atrair compradores. Conforme a Polícia Civil, embora as páginas apresentassem ligação com o Rio Grande do Sul, o núcleo operacional estaria sediado em São Paulo.
No decorrer da operação, agentes apreenderam computadores, celulares, chips telefônicos e outros equipamentos eletrônicos que, conforme a polícia, eram usados no atendimento às vítimas e na manutenção das páginas fraudulentas. Também foram recolhidos dois veículos, um VW T-Cross e um Toyota Corolla, avaliados em cerca de R$ 350 mil.
De acordo com a investigação, ao menos 11 ocorrências registradas no Rio Grande do Sul entre 2024 e 2025 estariam relacionadas ao grupo, com prejuízo estimado em aproximadamente R$ 200 mil. A polícia também apura movimentação financeira superior a R$ 1 milhão, incluindo cerca de R$ 750 mil atribuídos ao casal investigado.
Segundo os investigadores, o esquema funcionava com a criação de páginas falsas que reproduziam anúncios de leilões legítimos de veículos, eletrônicos e joias. Após o contato inicial, vítimas eram direcionadas para atendimentos por aplicativos de mensagens, onde recebiam orientações para pagamento via PIX ou transferência bancária. Após o depósito, os valores eram distribuídos entre contas vinculadas a pessoas físicas e empresas utilizadas para ocultação dos recursos.
A Polícia Civil informou que as investigações seguem em andamento para identificar outros envolvidos, rastrear valores movimentados e buscar formas de ressarcimento às vítimas.
Orientações de prevenção
Autoridades recomendam que interessados em leilões verifiquem o endereço eletrônico da página, consultem o registro do leiloeiro junto à junta comercial competente, desconfiem de exigência de pagamentos imediatos e evitem transferências para contas de terceiros. Também é indicada a visita presencial ao local onde os bens estariam armazenados antes de qualquer pagamento.
Como se proteger
1. Verifique o domínio: Sites oficiais de órgãos públicos no Brasil terminam obrigatoriamente em gov.br. Desconfie de finais como .org, .net ou .com/br.
2. Consulte o Leiloeiro: Todo leiloeiro oficial deve estar registrado na JucisRS. Verifique se o nome do profissional e o site constam na lista oficial.
3. Visite o lote: Nunca finalize uma compra sem realizar uma visita presencial ao pátio indicado. Em muitos golpes, o endereço fornecido é um terreno baldio ou local inexistente.
4. Atenção ao pagamento: Leilões de órgãos como o DetranRS nunca solicitam PIX para contas de pessoas físicas. Os pagamentos são feitos via guia própria (GAD-E) em bancos conveniados.
Fui vítima, e agora?
Registre Ocorrência: Procure a Delegacia de Polícia Civil mais próxima ou utilize a Delegacia Online do RS.
Contate o Banco: Informe imediatamente sua instituição financeira sobre a fraude para tentar o bloqueio dos valores via Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Banco Central.
Justiça: O TJRS já proferiu decisões condenando plataformas digitais a indenizarem vítimas quando há falha na segurança do anúncio veiculado.
Comentários: