A ideia parecia perfeita: vender carros elétricos bons e baratos para dominar o mercado global. No entanto, a estratégia de redução agressiva de preços, liderada pela montadora chinesa BYD, começa a gerar sérios problemas para o setor automotivo da China.

Em maio, a BYD cortou os preços de diversos modelos em até 34%, buscando impulsionar as vendas. Mas o que era para ser uma vantagem competitiva acabou afetando o valor de revenda dos veículos, gerando desconfiança entre consumidores e prejudicando a sustentabilidade da cadeia produtiva.
A situação ficou tão crítica que o Diário do Povo, jornal oficial do Partido Comunista Chinês, publicou um editorial alertando que a guerra de preços “não tem futuro” e pode desestabilizar todo o setor automotivo nacional. A Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis também fez um apelo para que as montadoras parem de vender abaixo do custo.

Apesar das preocupações, os números de vendas impressionam: em 2024, a China comercializou quase 11 milhões de veículos elétricos e híbridos, um salto de 40,7% em relação ao ano anterior. No Brasil, as vendas de veículos eletrificados somaram cerca de 180 mil unidades no mesmo período.