A atuação de uma frente fria sobre o Rio Grande do Sul deve manter o tempo instável entre esta terça-feira (28) e a manhã de quarta-feira (29), com previsão de chuva intensa, temporais, granizo e rajadas de vento em diversas regiões do Estado. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), os maiores acumulados podem variar entre 150 e 180 milímetros em um período de aproximadamente 36 horas, concentrando-se principalmente em áreas da região Central, Fronteira Oeste e Centro-Sul.
De acordo com a projeção do Inmet, os volumes mais elevados são esperados em uma faixa que abrange municípios entre Cachoeira do Sul, Camaquã e áreas ao norte de Alegrete. O acumulado previsto corresponde, em alguns pontos, à média histórica de precipitação para um mês inteiro. O órgão ressalta, no entanto, que esse cenário não se estende a todo o território gaúcho, já que outras regiões deverão registrar volumes diferentes de chuva.
O instituto mantém aviso vermelho para acumulados elevados em parte do Estado. Conforme o monitoramento meteorológico, a intensificação das precipitações era esperada a partir da madrugada desta terça-feira, com maior persistência ao longo do dia e continuidade até a manhã de quarta-feira.
Além da chuva, a previsão indica condições para temporais isolados acompanhados de queda de granizo e rajadas de vento que podem se aproximar de 100 km/h em algumas localidades. O risco se estende a diferentes regiões do Estado, especialmente onde haverá maior contraste entre o ar quente e a chegada da frente fria.
Nas áreas do Norte do Rio Grande do Sul, onde as temperaturas permanecem mais elevadas antes da mudança do tempo, a preocupação está voltada para tempestades localizadas com vento forte e granizo. Já na faixa central, o principal impacto previsto é o elevado volume de chuva.
A posição da frente fria também será determinante para o comportamento das bacias hidrográficas. Conforme o Inmet, alterações no deslocamento do sistema podem modificar a distribuição dos maiores acumulados e ampliar a contribuição de água para rios como Jacuí, Taquari, Caí e Sinos, influenciando posteriormente o nível do Guaíba. O tempo de resposta dessas bacias varia entre três e seis dias, dependendo da região onde ocorrerem as precipitações mais intensas.
O Rio Jacuí aparece entre os cursos d'água que exigem maior acompanhamento neste momento, devido à previsão de chuva sobre parte de sua bacia. Também seguem sob monitoramento os rios Sinos, Gravataí, Ibicuí e afluentes do Rio Uruguai, alguns deles com níveis elevados em razão das chuvas registradas nos últimos dias.
A Defesa Civil do Rio Grande do Sul mantém alerta para possibilidade de alagamentos, inundações, elevação de arroios e pequenos rios até quarta-feira. O órgão informa que os impactos dependerão da distribuição efetiva das precipitações e do comportamento das bacias hidrográficas ao longo dos próximos dias.
O prognóstico estadual também aponta possibilidade de rajadas superiores a 90 km/h, chuva intensa e granizo em regiões como Oeste, Campanha, Missões, Centro, Sul, Serra, Vales, Costa Doce, Litoral e Região Metropolitana. Há ainda indicação de risco para ocorrência de fenômenos severos em áreas isoladas durante o período de maior instabilidade.
Mesmo após uma redução temporária da chuva prevista para quinta-feira (30), os modelos meteorológicos indicam nova intensificação das precipitações entre sexta-feira (31) e sábado (1º). As projeções para o início de agosto também mantêm cenário de instabilidade, com possibilidade de novos acumulados elevados em diferentes regiões do Estado.
Até o último balanço divulgado pela Defesa Civil Estadual, 214 municípios haviam informado danos relacionados às cheias. O levantamento registra bloqueios de rodovias e pontes, danos em residências, queda de árvores e postes, além de deslizamentos de terra em algumas localidades. Também foram registrados impactos em escolas de diferentes municípios.
O Estado contabiliza ainda mais de 1,2 mil pessoas fora de casa, entre desalojadas e desabrigadas. Segundo os dados oficiais, 754 pessoas permaneciam desalojadas, enquanto 531 estavam acolhidas em nove abrigos ativos, distribuídos em oito municípios gaúchos. A situação continua sendo acompanhada pelos órgãos estaduais de monitoramento e resposta às emergências.
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