O Rio Grande do Sul passou a ser classificado em nível alto de risco para Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), conforme apontou o mais recente boletim InfoGripe, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A reclassificação ocorre em meio ao aumento das internações por doenças respiratórias e à baixa cobertura vacinal entre os grupos considerados prioritários.
De acordo com o levantamento, o Estado registrou 514 novos casos de SRAG entre os dias 17 e 23 de maio, período correspondente à semana epidemiológica 20. Na avaliação da Fiocruz, os indicadores seguem em trajetória de crescimento e ainda não apresentam sinais de estabilização.
A pesquisadora Tatiana Portella, do Programa de Computação Científica da Fiocruz, informou que os registros de síndrome respiratória já ultrapassaram o patamar considerado muito elevado. Segundo ela, o comportamento sazonal das doenças respiratórias é esperado durante os meses mais frios do ano, mas a intensidade do avanço observada em 2026 supera os índices registrados no mesmo período de 2023 e 2024.
O principal agente associado aos casos graves no Estado é o vírus Influenza A, responsável por grande parte das hospitalizações. O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) também segue em circulação. Os registros abrangem diferentes faixas etárias, incluindo crianças, adultos e idosos.
Dados da Secretaria Estadual da Saúde (SES) indicam que, até o final de maio, o Rio Grande do Sul acumulava 4.847 hospitalizações por Síndrome Respiratória Aguda Grave. No mesmo período, foram confirmadas 322 mortes relacionadas à doença, das quais 80 tiveram como causa a influenza.
Enquanto os indicadores epidemiológicos avançam, a cobertura vacinal entre os públicos prioritários permanece abaixo da meta estabelecida pelas autoridades sanitárias. Segundo informações da SES, aproximadamente 1,35 milhão de crianças, idosos e gestantes receberam a vacina contra a gripe até o momento, o que representa cobertura de 43,19% entre os grupos prioritários.
Os dados mostram que a vacinação alcançou 61,7% dos idosos, 50,35% das gestantes e 32,61% das crianças de seis meses a menores de seis anos. A estimativa estadual aponta que cerca de 1,77 milhão de pessoas desses grupos ainda não receberam o imunizante.
O Estado já recebeu 3,87 milhões de doses da vacina contra a influenza, de um total de 5,21 milhões previstas para envio pelo Ministério da Saúde. Até agora, aproximadamente 2,15 milhões de doses foram aplicadas em toda a população elegível.
Com o encerramento oficial da campanha nacional de vacinação contra a gripe no último sábado (30), a imunização segue disponível nos municípios conforme a disponibilidade de estoque. A Secretaria Estadual da Saúde orientou as prefeituras a manterem reservas estratégicas de doses para atender prioritariamente crianças, idosos e gestantes durante o período de maior circulação dos vírus respiratórios.
A ampliação da vacinação para toda a população continua sendo uma decisão de cada município. No entanto, o Estado recomenda que a abertura irrestrita ocorra somente após a garantia de estoque suficiente para os grupos mais vulneráveis, que apresentam maior risco de desenvolver complicações e necessitar de internação.
A SES e o Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Rio Grande do Sul (Cosems-RS) destacam que os próximos meses tendem a concentrar maior circulação de vírus respiratórios devido ao inverno, cenário que pode ampliar a demanda por atendimentos e internações hospitalares caso os índices de vacinação permaneçam abaixo do esperado.
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