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Terça-feira, 26 de Maio 2026
🇧🇷 Brasil

Tecnologia transforma cocô e xixi de porcos em água potável para reaproveitamento

Sistema desenvolvido pela Embrapa reduz uso de água nova e evita poluição dos rios

TVGO - Redação
Por TVGO - Redação
Tecnologia transforma cocô e xixi de porcos em água potável para reaproveitamento
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Um sistema desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) possibilita o tratamento de fezes e urina de suínos para produção de água destinada ao reúso nas propriedades rurais. A tecnologia, denominada Sistema de Tratamento de Efluentes da Suinocultura (Sistrates), tem como objetivo reduzir a captação de água nova nas granjas e minimizar o impacto ambiental causado pelo descarte inadequado de resíduos.

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De acordo com dados apresentados pelos pesquisadores responsáveis, o uso do sistema pode diminuir entre 40% e 50% a necessidade de água nova nas atividades de produção. A água tratada é reaproveitada na limpeza das instalações ou devolvida ao meio ambiente dentro dos padrões exigidos pela legislação ambiental. Embora o processo permita alcançar padrão de potabilidade após etapas adicionais de clarificação química e remoção de patógenos, a água não é destinada ao consumo humano nas propriedades onde a tecnologia já foi implantada.

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Para demonstrar a eficiência do tratamento, foi produzido um lote experimental de 40 litros de cerveja artesanal com a água potabilizada. A bebida foi apresentada em eventos científicos realizados em 2024 e 2025. Segundo relato técnico de participantes da degustação, não foram identificadas alterações de sabor atribuídas à origem da água.

A iniciativa surge em um contexto de pressão sobre os recursos hídricos. Relatórios internacionais apontam que a agricultura responde por cerca de 70% da captação de água doce no mundo. Paralelamente, estudos do Instituto da Universidade das Nações Unidas para a Água, o Meio Ambiente e a Saúde indicam que diversos sistemas hídricos enfrentam dificuldades para retornar às condições históricas após períodos de escassez.

Além da água para reúso, o processo de tratamento de dejetos pode gerar subprodutos como fertilizantes e energia elétrica. Quando não há tratamento adequado, os resíduos lançados em rios podem provocar proliferação de algas e microrganismos, alterando a qualidade da água.

O volume de dejetos varia conforme o sistema de criação. Em granjas de engorda, cada animal produz aproximadamente 7 litros por dia. Já nas unidades de reprodução, o volume pode chegar a 20 litros diários por fêmea. A instalação dos módulos necessários para o tratamento até a etapa de reúso pode representar de 8% a 10% do investimento total de implantação da granja, segundo os pesquisadores envolvidos, com custos de manutenção considerados reduzidos.

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Outra frente de pesquisa da Embrapa envolve o aproveitamento de águas cinzas, também chamadas de bioágua, provenientes da lavagem de roupas e utensílios domésticos. Em projeto conduzido pela Embrapa Semiárido, a água passa por filtragem antes de ser direcionada para irrigação de pequenas áreas de cultivo. O sistema contribui para evitar contaminação do lençol freático e fornece nutrientes às plantas, embora sua aplicação dependa do volume de água gerado pelas residências.

As tecnologias integram estratégias voltadas à redução do consumo de água e ao manejo de resíduos na produção agropecuária, com foco na sustentabilidade e no atendimento às normas ambientais vigentes.

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