O Grupo Dolly, fabricante de refrigerantes conhecido nacionalmente por sua atuação no setor de bebidas, decidiu alterar a forma de renegociação de suas dívidas após oito anos em recuperação judicial. A empresa solicitou a migração para o modelo de recuperação extrajudicial, procedimento que permite acordos diretos com credores antes da homologação pela Justiça.
A mudança foi autorizada judicialmente e ocorre em meio à continuidade das dificuldades financeiras enfrentadas pelo grupo. Conforme relatório de atividades referente a dezembro de 2025, a companhia registrou prejuízo líquido consolidado de R$ 25,8 milhões no ano. Com a decisão, as empresas que compõem o grupo deverão apresentar um novo plano de negociação com os credores até a próxima terça-feira, dia 19.
A recuperação extrajudicial é uma alternativa prevista na legislação brasileira para empresas em crise econômico-financeira. Diferentemente da recuperação judicial, que envolve a renegociação das dívidas sob acompanhamento mais amplo do Judiciário, o modelo extrajudicial permite que a empresa negocie condições específicas com determinados grupos de credores. Após a adesão mínima exigida em lei, o plano pode ser submetido à homologação judicial.
Segundo a defesa da companhia, a decisão de migrar para esse formato foi tomada após alterações na legislação aprovadas em 2020, que modificaram regras sobre o quórum necessário para aprovação dos planos de recuperação extrajudicial. O advogado do grupo, Edgar Bechara, informou que mais de 60% dos credores aprovaram a mudança de estratégia.
Fundada em 1987, em Diadema, no estado de São Paulo, a Dolly passou a enfrentar uma crise financeira a partir de 2017, após investigações envolvendo suspeitas de sonegação fiscal. Naquele período, houve bloqueio de bens e contas bancárias de sócios e empresas ligadas ao grupo. As dívidas, à época, ultrapassavam R$ 200 milhões, e a companhia alegava risco de interrupção das atividades e fechamento de unidades.
Em 2018, o grupo ingressou com pedido de recuperação judicial. Na ocasião, o fundador da empresa, Laerte Codonho, afirmou que a medida era necessária para manter as operações. Desde então, a companhia permaneceu sob esse regime enquanto buscava reorganizar suas obrigações financeiras.
Além das questões empresariais, Codonho também responde a processos judiciais. Em março do ano passado, ele foi condenado pela Justiça de São Paulo por crimes ambientais, corrupção de policiais e outros delitos. A sentença fixou pena superior a 11 anos de prisão e aplicação de multas. O empresário negou as acusações e contestou a decisão.
Com a recuperação extrajudicial, os credores que aderirem ao plano terão os débitos renegociados conforme as condições aprovadas. Já aqueles que não participarem do acordo poderão manter cobranças individuais na Justiça, conforme as regras aplicáveis ao procedimento.
A apresentação do novo plano será uma etapa considerada central para a continuidade da tentativa de reestruturação financeira do grupo. O documento deverá detalhar as condições propostas para pagamento, prazos e alcance da negociação com os credores envolvidos.
Comentários: