A ilha das Pedras Brancas, no Rio Guaíba, também é conhecida como Ilha do Presídio. O lugar que servia como celas de presos políticos do Brasil hoje está em situação de abandono. O que se vê nas suas paredes brancas são milhares de riscos e pichações com diversas palavras feitas por visitantes daquele local ou, até mesmo, por seus próprios habitantes da época da Ditadura Militar.
Essas pichações podem estar cobrindo as originais, do tempo do presídio, segundo o guia de turismo e biólogo Felipe Schenkel. De acordo com ele, a ideia era frear essas atitudes para que profissionais habilitados pudessem investigar, pare ver se há registros dos detentos que viviam entre essas paredes. "Possivelmente tenha, mas talvez agora estariam encobertas por uma camada de tinta posterior", explica.
É comum ver declarações de amor, mesmo algumas sumindo devido à pouca força do giz ou até mesmo a antiguidade de sua feitura. São vistos sinais de corações com nomes de casais com datas até recentes, como as de Alex e Marcilene, que foram registradas em 19 de fevereiro de 2019.
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Logo quando o visitante entra no corredor e vira seu rosto à esquerda, se depara com a palavra "ultimato" em letras gigantescas com o símbolo da mitologia. Não se sabe quando e o porquê de ser escrita. Pode ter sido durante o filme "Vingadores", sucesso de bilheteria de cinema, que estava em cartaz com esse título. Ou o objetivo de escrever foi por causa de seu real significado, de ser um conjunto das últimas exigências em que a não aceitação poderia implicar na declaração de uma guerra.
Diversos presos durante a Ditadura eram políticos, que lutavam contra censuras. O ambiente ainda tem registros de nomes personalidades da política atual, que podem significar uma mistura do posicionamento político e histórico na conjuntura brasileira, como "Lula Livre", "Fora Dilma", entre outros.