Um levantamento internacional divulgado na terça-feira (24) aponta que a maior parte dos peixes migratórios de água doce avaliados enfrenta risco de extinção. A Avaliação Global dos Peixes Migratórios de Água Doce foi apresentada durante a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS) e reúne dados produzidos por organismos internacionais, instituições acadêmicas e órgãos governamentais.
De acordo com o relatório, 97% das espécies atualmente listadas pela CMS estão ameaçadas. O estudo também estima que, desde a década de 1970, houve uma redução de aproximadamente 90% nas populações desses peixes. Entre os fatores associados ao declínio estão alterações no fluxo dos rios, degradação de habitats, exploração pesqueira e poluição.
O documento amplia o número de espécies que se enquadram nos critérios da convenção. Atualmente, 24 espécies estão oficialmente listadas, mas a análise identificou 349 com características compatíveis com os critérios adotados. Isso representa 325 espécies ainda não incluídas formalmente, mas com potencial de risco à conservação.
A distribuição geográfica indica maior concentração de espécies ameaçadas na Ásia, com 205 registros. Na sequência aparecem América do Sul (55), Europa (50), África (42), América do Norte (32) e Oceania (6). O estudo também aponta bacias hidrográficas consideradas prioritárias para ações de cooperação internacional, entre elas Amazônia, Prata-Paraguai-Paraná, Danúbio, Mekong, Nilo e Ganges-Brahmaputra.
Na bacia Amazônica, foram identificadas 21 espécies em estado de conservação desfavorável. O levantamento inclui diferentes grupos de peixes migratórios, entre eles bagres de longa distância e espécies exploradas pela pesca. Um dos exemplos citados é o deslocamento de espécies que percorrem milhares de quilômetros ao longo dos rios da região.
Segundo o relatório, os grandes peixes migratórios representam 93% das capturas pesqueiras na Amazônia e movimentam cerca de 436 milhões de dólares por ano, valor equivalente a aproximadamente R$ 2,28 bilhões.
Durante a conferência, também está em análise um plano de ação voltado aos bagres migratórios da Amazônia. O documento foi elaborado com participação de países da região e prevê medidas relacionadas à conservação de habitats, conectividade dos rios, produção de conhecimento, cadeias produtivas e cooperação entre governos.
Espécies como a dourada e a piramutaba já foram incluídas em lista internacional que prevê ações coordenadas entre países. O Brasil também propôs a inclusão do surubim nesse mesmo instrumento, com foco na conservação e no manejo compartilhado das populações.
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