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🚔 Segurança e Justiça

Caso Benício: polícia investiga suposta adulteração em prontuário após prescrição de adrenalina

Três profissionais do hospital afirmam que médica tentou mudar dados do sistema; perícia analisará funcionamento do software

TVGO - Redação
Por TVGO - Redação
Caso Benício: polícia investiga suposta adulteração em prontuário após prescrição de adrenalina
Reprodução/Redes sociais
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A investigação sobre a morte de Benício Xavier, 6 anos, ocorrida em 23 de novembro em Manaus, avança com novos depoimentos colhidos pela Polícia Civil do Amazonas. Segundo o delegado Marcelo Martins, ao menos três profissionais que atuavam no Hospital Santa Júlia no dia do atendimento afirmaram que a médica responsável pelo caso, Juliana Brasil Santos, tentou alterar o prontuário eletrônico após ter prescrito adrenalina por via endovenosa, procedimento registrado como causa do agravamento do quadro clínico do menino.

De acordo com o delegado, os relatos apontam que a médica teria buscado acesso à prescrição original com o objetivo de retirar o registro e modificar dados no sistema. A polícia avalia em que medida essa conduta pode influenciar na tipificação penal, incluindo a possibilidade de dolo eventual. A técnica de enfermagem que aplicou a medicação, Raiza Bentes Paiva, também é investigada. As duas profissionais respondem ao inquérito em liberdade.

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Oitiva de novos profissionais do hospital ocorreu entre segunda (1º) e terça-feira (2). Seis trabalhadores, entre médicos e enfermeiros da UTI, prestaram informações complementares. O médico Enryko Garcia confirmou ter trocado mensagens com Juliana após o atendimento, nas quais ela reconhecia o erro. O enfermeiro Tairo Neves Maciel disse ter permanecido sozinho com a técnica de enfermagem durante parte do procedimento, divergindo de versão apresentada pela médica. Os pais da criança também foram chamados para validar dados já incluídos nos autos.

A defesa de Juliana afirma que a confissão inicial foi feita sob forte tensão emocional e sustenta que um erro no sistema automatizado do hospital pode ter alterado a via de administração registrada na prescrição. Os advogados alegam falhas estruturais da unidade e dizem que a médica não preencheu o documento manualmente. Segundo o advogado Felipe Braga, o sistema poderia corrigir automaticamente comandos considerados inconsistentes. O delegado, porém, afirma que apenas uma perícia técnica poderá confirmar ou descartar essa possibilidade.

A família de Benício divulgou uma carta aberta no sábado (6), contestando a tese de falha de sistema. O texto afirma que registros posteriores feitos pela equipe da UTI mostram prescrição correta da adrenalina por via inalatória, o que, segundo os familiares, indicaria funcionamento adequado do software no período.

O Conselho Regional de Medicina do Amazonas instaurou processo ético sigiloso para avaliar a conduta da médica. O Hospital Santa Júlia afastou Juliana e a técnica de enfermagem enquanto a apuração segue em curso.

Em relatório enviado à Polícia Civil, a médica reconheceu ter prescrito adrenalina intravenosa e declarou ter informado à mãe da criança que a administração deveria ocorrer por via oral. Já a técnica de enfermagem disse ter seguido o que constava no prontuário eletrônico. O delegado conduz o caso como homicídio doloso qualificado, avaliando inclusive se fatores relacionados ao modo de execução configuram qualificadoras.

O menino deu entrada no Hospital Santa Júlia na noite de 22 de novembro com tosse seca e suspeita de laringite. A família relata que ele recebeu lavagem nasal, soro, xarope e três doses de adrenalina intravenosa de 3 ml, aplicadas em intervalos de 30 minutos. Após piora súbita, com queda da saturação para cerca de 75%, ele foi transferido à UTI. Durante a intubação, sofreu várias paradas cardíacas — seis no total — e morreu às 2h55 de 23 de novembro.

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