As previsões hidrológicas para os próximos dias indicam que o nível do Guaíba poderá subir em razão do volume de chuva esperado no Rio Grande do Sul, embora ainda não haja consenso entre os órgãos responsáveis pelo monitoramento sobre a possibilidade de inundação. A atualização dos cenários dependerá da distribuição das precipitações previstas ao longo da semana.
Na manhã de segunda-feira (27), o Serviço Geológico do Brasil (SGB) e o Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul divulgaram boletim apontando quatro cenários para o comportamento do Guaíba. Em apenas um deles há previsão de que o nível ultrapasse a cota de inundação a partir de 3 de agosto. Nos demais, a projeção indica que o lago permanecerá abaixo da cota de alerta.
Segundo o boletim, todos os modelos meteorológicos convergem quanto à ocorrência de chuvas persistentes no Estado, porém apresentam diferenças sobre a localização e a intensidade dos maiores acumulados. Essa variação influencia diretamente o volume de água que chegará às bacias hidrográficas responsáveis pela elevação do nível do Guaíba nos dias seguintes.
A Defesa Civil do Rio Grande do Sul informou que, com base nas projeções atualmente disponíveis, o cenário mais provável é de o Guaíba atingir, no máximo, a cota de atenção entre os dias 31 de julho e 1º de agosto. O órgão ressalta, entretanto, que as previsões são revisadas continuamente conforme novos dados meteorológicos são incorporados aos modelos.
Para elaborar suas projeções, a Defesa Civil utiliza principalmente os modelos meteorológicos globais ECMWF, de origem europeia, e GFS, dos Estados Unidos. À medida que o evento se aproxima, também são incorporadas análises de modelos regionais, que oferecem maior detalhamento espacial e temporal das áreas de chuva.
Já o cenário mais elevado apresentado pelo SGB e pelo IPH é baseado no modelo ETA. Conforme especialistas, as diferenças entre os modelos decorrem das incertezas sobre onde ocorrerão os maiores volumes de precipitação.
De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), caso as chuvas mais intensas se concentrem entre 100 e 150 quilômetros mais ao norte em relação às previsões atuais, um número maior de bacias hidrográficas poderá receber elevados acumulados, aumentando o volume de água que posteriormente escoará para o Guaíba.
Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul também destacam que ainda não é possível definir qual cenário prevalecerá. A recomendação é acompanhar as atualizações dos boletins meteorológicos e hidrológicos ao longo da semana, já que pequenas mudanças na localização das chuvas podem alterar significativamente as projeções.
Durante coletiva realizada na segunda-feira, o governo estadual reforçou que o monitoramento permanece contínuo e que as decisões serão tomadas conforme a evolução das condições meteorológicas. A Defesa Civil acrescentou que os estudos produzidos pelo SGB e pelo IPH são utilizados como suporte técnico, embora sejam elaborados a partir de metodologias e modelos distintos dos empregados pelo órgão estadual.
Entre segunda-feira (27) e domingo (2), a previsão indica acumulados superiores a 200 milímetros em diferentes regiões do Rio Grande do Sul. O volume de chuva já coloca em estado de atenção diversos cursos d'água, com monitoramento reforçado para os rios Ibicuí, Ibirapuitã, Santa Maria, Quaraí, Jacuí, Caí e Sinos, devido ao risco de elevação dos níveis e ocorrência de inundações em áreas vulneráveis.
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