A comunidade está participando da Semana da Umbanda e das Religiões de Matrizes Africanas, que acontece até a próxima sexta-feira (29). Na última segunda-feira (25), no Museu Carlos Nobre, debateram a valorização das religiões afro-brasileiras, sobre a diversidade, o respeito e a cidadania. Ainda inauguraram a exposição "O sagrado afro-brasileiro", sobre a história e curiosidades sobre os povos de terreiros.
Ativistas da causa apresentaram sobre a possível mudança da data de comemoração da Semana e a criação do Conselho Municipal do Povo de Terreiro. Nos dois projetos cabe à prefeitura e Câmara de Vereadores elaborarem e aprovarem para entrarem em vigor.
O ex-vereador interino Anderson Guaíbão, que protocolou requerimento sobre o assunto quando exercia o cargo, explica que o conselho tem o intuito de promover o reconhecimento, a valorização e o respeito à diversidade socioambiental e cultural. Por meio do desenvolvimento de ações, estudos e políticas públicas voltadas para o conjunto das comunidades tradicionais da cidade. Segundo ele, caracterizaria como um instrumento de reparação civilizatória, na busca da equidade econômica, política, cultural e da eliminação das discriminações.
Esse tipo de conselho existe em 16 cidades do Rio Grande do Sul, como Alegrete, Santa Maria, Pelotas, Rio Grande e Canoas. É um órgão público normativo, consultivo, deliberativo e fiscalizador.
Para o presidente do Conselho Estadual do Povo de Terreiro, Baba Diba de Iyemonja, essa comunidade tem que ter voz e elaborar políticas públicas. "Vivemos da informalidade em tudo, sofremos racismo religioso, somos a religião mais perseguida do Brasil. O Conselho Municipal tem que ter força, de sentar e pactuar sobre o que estamos vivendo", disse.
Com o órgão instituído, a comunidade pode ter acesso a verbas federais para investimento nos programas e projetos do povo de terreiro.
A exposição
A mostra "O sagrado afro-brasileiro" visa contar a história e tradição das religiões de origem africana, como da umbanda e do batuque. Vestiram ainda Oxum e a Iansã, que é considerada a senhora dos eguns, os espíritos dos mortos, menos cultuados no candomblé. Dia 4 de dezembro é o Dia Nacional da Iansã.
A homenagem a Oxum, orixá rainha da água doce e dona dos rios e cachoeiras, se conecta com o Dia Nacional da Oxum, 8 de dezembro, que vai ser comemorado na Praia da Alegria na mesma data. A exposição segue no Museu Carlos Nobre até dia 15, com entrada franca.