O percentual de famílias gaúchas com algum tipo de dívida voltou a crescer em março e alcançou 85,9%, maior índice registrado nos últimos dez meses, conforme levantamento divulgado pela Fecomércio-RS. O resultado interrompe duas quedas consecutivas observadas anteriormente e mostra avanço tanto entre famílias com renda de até 10 salários mínimos quanto entre aquelas acima desse patamar.
O estudo considera operações de crédito como cartão de crédito, financiamentos e empréstimos, sem incluir contas de consumo, como água, energia elétrica e telefonia. Também subiu para 18,1% o número de famílias que afirmam estar muito endividadas.
Apesar da elevação no endividamento, a taxa de inadimplência apresentou recuo e fechou março em 26,7%. Segundo a entidade, o movimento pode estar relacionado às mudanças no Imposto de Renda, que ampliaram a faixa de isenção para trabalhadores com renda de até R$ 5 mil mensais.
Entre as famílias de menor renda, cerca de um terço possui contas em atraso. Já entre aquelas com renda superior, o índice de inadimplência ficou em 8,5%, embora em trajetória de crescimento.
As modalidades de crédito mais utilizadas pelos consumidores gaúchos seguem concentradas no cartão de crédito, presente em 63,2% dos casos. Em seguida aparecem carnês, com 47,2%, financiamento de veículos, com 6,9%, financiamento habitacional, com 6,3%, crédito pessoal, com 5,5%, e crédito consignado, com 3,6%.
Outro levantamento, divulgado pela Federação Varejista do RS com base em dados do SPC Brasil, mostra que o Rio Grande do Sul encerrou março com crescimento de 8,78% no número de inadimplentes em relação ao mesmo mês do ano passado. O avanço foi inferior ao registrado na Região Sul, de 9,25%, e ao índice nacional, de 9,54%.
Na comparação mensal, porém, o Estado teve aumento de 1,43% no número de negativados, percentual acima das médias regional e nacional. Segundo os dados, 34,94% das dívidas em atraso possuem entre um e três anos de existência, faixa que também apresentou crescimento de 19,07% em relação a março do ano anterior.
O levantamento aponta ainda redução de 13,01% na recuperação de crédito em comparação com março de 2025. O desempenho ficou abaixo do observado na Região Sul, que recuou 8,42%, e no Brasil, com queda de 4,61%.
Em média, cada consumidor inadimplente no Estado acumulava R$ 5.446,51 em débitos no mês analisado. Do total, 87,57% eram reincidentes, ou seja, permaneceram negativados nos últimos 12 meses ou retornaram ao cadastro após regularização temporária.
Entre os consumidores que conseguiram quitar pendências em março, o valor médio pago foi de R$ 2.785,33. Em 59,41% dos casos, o pagamento realizado foi de até R$ 500.
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