No Rio Grande do Sul, a gripe aviária permanece em monitoramento com um único foco ativo, localizado no Zoológico de Sapucaia do Sul. A informação foi confirmada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que acompanha a situação após a identificação do vírus H5N1 em aves no local. Até o momento, foram contabilizadas 166 mortes de animais, abrangendo 11 espécies distintas, conforme dados da Secretaria Estadual da Agricultura (Seapi). O zoológico segue fechado à visitação.
A situação ocorre um mês após o primeiro registro da doença em uma granja comercial no Brasil, localizado em Montenegro. A confirmação oficial ocorreu em 15 de maio e, no dia seguinte, foi divulgado novo foco em Sapucaia do Sul. Desde então, as autoridades sanitárias têm trabalhado para conter a disseminação do vírus. O surto em Montenegro foi encerrado com a desinfecção da granja no dia 21 de maio, e o controle passou a seguir um período de 28 dias de vigilância intensiva — o chamado vazio sanitário — que se encerra em 18 de junho. Caso não haja novos registros até essa data, o país poderá ser novamente considerado livre da doença no setor comercial.

De acordo com o Mapa, análises genéticas indicam que o vírus presente tanto na granja quanto no zoológico é o mesmo que circulou na Estação Ecológica do Taim em 2023. Essa constatação reforça a hipótese de que as infecções foram originadas no ambiente natural, e não dentro do sistema produtivo. Técnicos da Seapi ressaltam que, no caso da fauna silvestre, os focos não são eliminados por completo, uma vez que não há sacrifício de todos os animais. Novas coletas de amostras no zoológico devem confirmar se as mortes recentes seguem relacionadas à influenza.
Em resposta ao caso em Montenegro, o governo estadual chegou a instalar sete barreiras sanitárias em pontos estratégicos, com foco na inspeção de veículos como caminhões de carga viva, transporte de ração e coleta de leite. Com a estabilização do cenário, esse número foi gradualmente reduzido até a desativação total em 30 de maio. A fiscalização segue com equipes móveis, que realizam vistorias programadas em um raio de 10 quilômetros do foco inicial. Segundo a Seapi, foram abordados e desinfetados 4,1 mil veículos até o momento.

As próximas ações de vistoria em propriedades rurais e monitoramento por barreiras estão previstas para os dias 16 e 17 de junho. Autoridades reiteram que não há risco à saúde humana relacionado ao consumo de carne de aves ou ovos, e que as medidas seguem as recomendações internacionais de biossegurança.