A médica ginecologista e obstetra Marcella Segato de Sousa Melo foi demitida do Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara, em Goiânia, após a divulgação de mensagens em que sugeria que pacientes simpatizantes do Partido dos Trabalhadores (PT) não recebessem alta hospitalar durante o fim de semana do primeiro turno das eleições de 2026.
A demissão ocorreu na quarta-feira (7), depois que o conteúdo de uma conversa em um grupo privado de WhatsApp, formado por profissionais da unidade, ganhou repercussão. Antes do desligamento, Marcella já havia sido afastada de suas funções na maternidade.
O que dizia a mensagem?
Nas mensagens enviadas em 2 de outubro, a médica orientou os colegas que estariam de plantão no sábado (3) e no domingo (4) a não liberarem pacientes da enfermaria.
“Quem estiver na enfermaria sábado e domingo, não dar alta para ninguém, a maioria é petista”, escreveu a profissional, conforme registros divulgados pela TV Anhanguera.
A publicação recebeu reações de outros participantes do grupo, incluindo emojis de risadas e sinais de aprovação. Um dos profissionais chegou a responder “combinado”.
O conteúdo levantou questionamentos sobre uma possível tentativa de interferir no direito de voto das pacientes internadas. Até o momento, entretanto, não há confirmação de que alguma mulher tenha tido a alta hospitalar atrasada ou negada por motivação política.
Médica pede desculpas e nega prejuízo às pacientes
Após a repercussão, Marcella divulgou uma nota pública na qual pediu desculpas às pacientes, familiares, colegas de profissão e à instituição.
A profissional afirmou que as mensagens não resultaram em qualquer conduta inadequada durante os atendimentos.
“Nenhuma paciente teve a alta atrasada ou negada”, declarou.
Segundo a médica, todas as decisões sobre internação e liberação hospitalar foram tomadas exclusivamente com base em critérios clínicos, sem considerar preferências políticas.
Ela também ressaltou que o voto é secreto e deve ser respeitado, sem qualquer tipo de retaliação.
Caso é investigado por órgãos competentes
A situação foi encaminhada ao Ministério Público Eleitoral, que apura as circunstâncias das mensagens e possíveis implicações eleitorais.
O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) também informou que denúncias relacionadas à conduta ética de profissionais são analisadas em procedimentos sigilosos.
A entidade solicitou esclarecimentos ao responsável técnico da maternidade, conforme os procedimentos previstos para esse tipo de apuração.
Hospital reforça atendimento sem discriminação
Em nota, a direção do Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara afirmou que não adota posicionamento político-partidário e que as mensagens divulgadas representam manifestações pessoais dos participantes do grupo.
A instituição destacou que decisões sobre internação, permanência e alta hospitalar devem seguir exclusivamente critérios médicos, técnicos e de segurança do paciente.
A Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia também reforçou que os atendimentos realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) devem ocorrer de maneira ética, humanizada e igualitária, independentemente das convicções políticas dos pacientes.
Até o momento, não foi comprovado que as mensagens tenham provocado prejuízos concretos ao atendimento de pacientes. As apurações seguem para esclarecer as circunstâncias do episódio e eventuais responsabilidades.
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