O Tribunal do Júri da Comarca de Canoas condenou, na terça-feira (10), Paula Caroline Ferreira Rodrigues, de 31 anos, a 26 anos e oito meses de prisão em regime fechado pelo homicídio do fotógrafo José Gustavo Bertuol Gargioni. O crime ocorreu em julho de 2015 na Região Metropolitana de Porto Alegre.
De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), a vítima, então com 22 anos, foi atraída para um encontro e acabou levada a um local onde ocorreu o ataque. O corpo foi localizado posteriormente na Praia de Paquetá, em Canoas. A perícia apontou que o fotógrafo foi atingido por 19 disparos de arma de fogo.
O conselho de sentença reconheceu a prática de homicídio triplamente qualificado, considerando motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. A ré não compareceu ao julgamento e é considerada foragida pela Justiça, com mandado de prisão em aberto.
O júri teve início pouco antes das 10h no Fórum de Canoas e foi concluído por volta das 19h. Durante a sessão foi ouvida uma testemunha de acusação, o delegado responsável pela investigação do caso. Familiares da vítima acompanharam o julgamento no plenário.
Segundo o Ministério Público, Paula mantinha relacionamento com o fotógrafo e também com Juliano Biron da Silva, apontado como coautor do crime. Ele foi condenado em 2020 a 20 anos e oito meses de prisão por homicídio qualificado.
O caso já havia sido analisado pelo Tribunal do Júri em dezembro de 2023, quando a acusada foi absolvida da imputação de homicídio e o crime de ocultação de cadáver foi considerado prescrito. O Ministério Público recorreu da decisão, e o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul determinou a realização de um novo julgamento em abril de 2025, por entender que o veredito anterior contrariava as provas apresentadas no processo. A decisão tornou-se definitiva em agosto do mesmo ano.
Durante o processo, o advogado que atuava na defesa comunicou que não participaria da sessão e apresentou renúncia ao caso, além de solicitar adiamento do julgamento por motivo de saúde. O pedido foi negado pelo magistrado responsável. O júri ocorreu mesmo com a ausência da ré, situação prevista na legislação quando o acusado, mesmo intimado, não comparece aos atos processuais. Nesses casos, o processo segue com a garantia de defesa técnica por advogado ou defensor público.
Antes do crime, José Gustavo Bertuol Gargioni havia trabalhado como fotógrafo do Palácio Piratini durante parte do mandato do então governador Tarso Genro e posteriormente atuava em uma produtora de eventos em Canoas.
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