O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) deflagrou, na manhã desta quarta-feira (7), a Operação Ouro de Tolo, que investiga suspeitas de desvios superiores a R$ 5 milhões relacionados à gestão da Santa Casa de Caridade de Uruguaiana, hospital que atende a população da Fronteira Oeste.
A ofensiva, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), cumpriu 25 mandados de busca e apreensão. Ao todo, foram executadas 37 medidas judiciais em 11 cidades de seis Estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Goiás, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Cerca de 100 agentes participaram da operação.
Entre os alvos estão gestores, administradores, empresários e empresas que mantiveram vínculos contratuais com a Santa Casa. Onze pessoas físicas são investigadas, incluindo ex-secretários. Segundo o MPRS, não há integrantes da atual gestão do Executivo municipal entre os investigados. A Secretaria Municipal de Saúde também foi alvo de medidas nesta quarta-feira.
A investigação apura, em tese, crimes de peculato, lavagem de dinheiro, corrupção, falsidade documental e organização criminosa. As suspeitas incluem superfaturamento de contratos, pagamentos irregulares, conflitos de interesse e possível destruição ou ocultação de informações relevantes para a fiscalização dos recursos administrados pela instituição.
Investigação está dividida em três frentes
Uma das linhas de investigação analisa contratos de consultoria e tecnologia firmados entre 2023 e 2024, que somaram mais de R$ 5 milhões. O Ministério Público busca esclarecer se os serviços eram necessários, se foram efetivamente executados e se os valores pagos eram compatíveis com as atividades realizadas.
Outra frente apura possíveis conflitos de interesse. Conforme o MPRS, empresas beneficiadas por contratações e pagamentos teriam ligação com pessoas que participavam da administração da Santa Casa ou exerciam influência sobre decisões financeiras e administrativas. Uma terceira linha investiga contratos de prestação de serviços médicos e a correspondência entre atendimentos, escalas e valores pagos.
Análises realizadas durante a investigação identificaram que as despesas com serviços de terceiros passaram de R$ 3 milhões em 2019 para R$ 13,7 milhões em 2024, aumento de 356%. No mesmo período, os gastos com honorários médicos cresceram 165%, segundo o Ministério Público.
Documentos, equipamentos eletrônicos e outros materiais recolhidos durante a operação serão analisados para auxiliar na reconstrução dos fluxos financeiros, administrativos e contratuais da instituição. A investigação permanece em andamento e as suspeitas ainda deverão ser apuradas quanto à eventual responsabilidade individual dos envolvidos.
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