A identificação da bactéria Acinetobacter baumannii em áreas do lago Guaíba não apresenta, até o momento, indícios de proliferação no corpo hídrico. A avaliação foi divulgada por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), responsáveis por um estudo realizado em pontos de monitoramento na capital gaúcha.
A análise integra o projeto ClimaRes WaSH, voltado ao monitoramento ambiental e à produção de dados relacionados à qualidade da água, saneamento e saúde pública. Durante a pesquisa, foram coletadas amostras em 17 pontos de Porto Alegre, com detecção da bactéria em quatro locais: praia do Lami, praia de Ipanema, proximidades da foz do arroio Dilúvio e região da Estação de Bombeamento de Água Pluvial (Ebap) Menino Deus.
Segundo o professor do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Ufrgs, Fernando Magalhães Filho, os resultados não indicam um cenário de disseminação da bactéria no lago. Conforme explicou, o Guaíba recebe influência constante de resíduos e poluentes transportados por áreas urbanas e sistemas de drenagem.
O pesquisador afirmou ainda que o risco de contaminação é considerado baixo, embora não exista metodologia específica capaz de calcular com precisão o impacto da exposição à bactéria em ambientes naturais. De acordo com ele, fatores como imunidade, tempo de contato e condições de exposição influenciam na possibilidade de infecção.
A Acinetobacter baumannii foi incluída pela Organização Mundial da Saúde (OMS) entre as bactérias resistentes a antibióticos consideradas prioridade crítica para a saúde pública mundial. O microrganismo é associado principalmente a ambientes hospitalares e pode provocar infecções em pessoas com baixa imunidade.
Uma das hipóteses levantadas pelos pesquisadores é de que a presença da bactéria no Guaíba esteja relacionada ao extravasamento de efluentes contaminados provenientes de unidades hospitalares ou clínicas.
Em nota, o Departamento Municipal de Água e Esgotos informou que iniciou uma nova rodada de análises para avaliar a qualidade da água do lago. O órgão destacou também que os resultados obtidos em ambientes naturais não possuem relação com a água tratada distribuída para abastecimento da população.
Os coordenadores do estudo afirmaram ainda que não há legislação específica para monitoramento de genes de bactérias resistentes em corpos hídricos. Segundo o grupo, a divulgação dos dados busca fornecer informações técnicas para subsidiar medidas de acompanhamento e definição de estratégias pelas autoridades competentes.
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