O Rio Grande do Sul ganhou uma nova estrutura voltada à produção de energia limpa. Foi inaugurada, na quinta-feira (13), a segunda usina de biometano produzido a partir de aterro sanitário no Estado. A unidade está instalada na Unidade de Valorização Sustentável da Companhia Riograndense de Valorização de Resíduos (CRVR), em São Leopoldo, no Vale do Sinos.
A nova planta recebeu investimento de aproximadamente R$ 95 milhões e terá capacidade para produzir 34 mil Nm³ de biometano por dia. O combustível será destinado principalmente aos setores industrial e comercial, com fornecimento para a Ultragaz.
A iniciativa amplia a utilização de uma fonte renovável produzida a partir do aproveitamento de resíduos urbanos e reforça a posição do Rio Grande do Sul no desenvolvimento de alternativas para a redução do uso de combustíveis fósseis.
Combustível produzido a partir de resíduos
O biometano é obtido por meio da purificação do biogás gerado durante a decomposição dos resíduos depositados em aterros sanitários. Após o processo, o combustível apresenta teor superior a 95% de metano, permitindo sua utilização em diferentes aplicações.
Uma das principais vantagens é a possibilidade de substituir combustíveis de origem fóssil, como o gás natural e o diesel, contribuindo para a redução das emissões de gases de efeito estufa.
Segundo as informações apresentadas pela empresa, o biometano pode proporcionar uma redução de até 99% nas emissões de gases de efeito estufa em comparação com combustíveis convencionais.
Além do benefício ambiental, a produção a partir de resíduos urbanos oferece uma característica importante para a segurança energética: a geração ocorre continuamente e não depende de condições climáticas, possibilitando maior estabilidade no fornecimento ao longo do ano.
Produção integrada à reciclagem e geração de energia
A estrutura de São Leopoldo integra diferentes etapas de aproveitamento dos resíduos. A unidade da CRVR recebe materiais provenientes de aproximadamente 58 municípios e conta com a primeira planta de triagem semimecanizada do Rio Grande do Sul.
A estrutura tem capacidade para processar 15 toneladas de resíduos por hora, permitindo a recuperação de materiais recicláveis que podem retornar à cadeia produtiva.
Com a separação desses materiais, uma parcela dos resíduos deixa de ser encaminhada ao aterro, fortalecendo práticas relacionadas à reciclagem e à economia circular.
O complexo também conta com uma planta da Biotérmica, responsável pela geração de energia elétrica a partir do biogás captado no próprio aterro sanitário. A unidade possui capacidade de 1 MWh, e a energia produzida é destinada a consumidores interessados em fontes mais limpas.
Com a inauguração da nova planta de biometano, a energia gerada pela Biotérmica também será utilizada no processo de produção do combustível renovável.
Economia circular
A operação reúne diferentes formas de aproveitamento dos resíduos em um mesmo complexo. Materiais recicláveis são recuperados na triagem, o biogás é utilizado para geração de energia elétrica e, agora, também passa a ser transformado em biometano.
O modelo contribui para o conceito de economia circular, no qual resíduos deixam de ser vistos apenas como materiais descartáveis e passam a ser utilizados como fonte de matérias-primas e energia.
A transformação do biogás em biometano também amplia as possibilidades de utilização desse recurso, permitindo que o combustível seja direcionado a atividades industriais e comerciais.
Expansão das fontes renováveis no Estado
A inauguração da planta em São Leopoldo representa mais um avanço na utilização de resíduos urbanos para a produção de energia e combustíveis renováveis no Rio Grande do Sul.
Com capacidade de 34 mil Nm³ por dia, a unidade amplia a oferta de biometano produzido a partir de aterros sanitários e cria uma alternativa para empresas que buscam reduzir a utilização de combustíveis fósseis em suas operações.
A integração entre a CRVR, a Biotérmica e a Biometano também estabelece um ciclo de aproveitamento dos resíduos, envolvendo reciclagem, geração de eletricidade e produção de combustível renovável.
Além dos impactos ambientais, o investimento movimenta a cadeia de energia e resíduos e fortalece a busca por soluções capazes de aliar desenvolvimento econômico à redução das emissões de gases de efeito estufa.
Com a nova operação, São Leopoldo passa a ocupar um papel de destaque na produção de biometano no Estado, utilizando os próprios resíduos urbanos como matéria-prima para gerar energia e combustível que podem retornar à economia.
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