A Associação Educacional Luterana do Brasil (AELBRA), mantenedora da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), divulgou uma nota à imprensa para esclarecer informações sobre uma suposta relação de controle da universidade com o Banco Master.
Segundo a instituição, a Ulbra nunca teve mudança de controle societário e jamais foi administrada pelo banco ou por fundos ligados à instituição financeira. De acordo com a nota, a universidade sempre teve como única mantenedora a AELBRA, atualmente presidida por Carlos Melke Filho.
A AELBRA explica que a relação com o Banco Master ocorreu exclusivamente no contexto do processo de recuperação judicial iniciado em 2019, acompanhado pelo Poder Judiciário, Ministério Público, Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e credores.
Durante esse processo, o banco adquiriu créditos no mercado secundário de dívidas e passou a figurar como um dos credores relevantes — situação considerada comum em recuperações judiciais no país. Também foram estruturados instrumentos financeiros utilizados em reestruturações empresariais, como debêntures conversíveis em participação societária.
Entretanto, conforme a entidade, essas estruturas nunca chegaram a ser efetivadas, e nenhuma conversão de dívida em participação societária foi concretizada.
Tentativa de investimento não se concretizou
A nota também menciona a possibilidade de participação do Fundo Calêndula, ligado ao Banco Master, como investidor em uma operação prevista no plano de recuperação aprovado em 2022. O projeto envolvia a aquisição de uma unidade de faculdade de Medicina.
Contudo, a operação não foi concluída. Em 2023, uma decisão do Superior Tribunal de Justiça relacionada ao passivo fiscal da AELBRA levou à reformulação do plano de recuperação judicial, o que inviabilizou definitivamente aquela estrutura de investimento.
Ainda segundo a entidade, chegaram a ser discutidas alternativas que envolveriam um aporte estimado em cerca de R$ 1 bilhão para pagamento de passivos tributários e trabalhistas. No entanto, o investimento nunca se concretizou.
Medidas para proteger a instituição
A AELBRA afirma que, diante das circunstâncias envolvendo o Banco Master e das dificuldades para cumprimento de compromissos financeiros, a atual gestão adotou medidas jurídicas previstas no próprio processo de recuperação judicial para proteger a instituição e preservar seus ativos educacionais.
A entidade reforça que a universidade nunca foi controlada pelo banco e que também foi impactada por promessas de financiamento que não se materializaram.
Todas as informações relacionadas ao processo estão documentadas nos autos da recuperação judicial e podem ser consultadas publicamente.
Atividades seguem normalmente
Mesmo com o cenário considerado complexo, a AELBRA afirma que continua conduzindo um amplo processo de reorganização institucional, com foco na recuperação financeira e na manutenção da missão educacional da universidade.
Segundo a instituição, todas as atividades acadêmicas, administrativas e assistenciais da Ulbra seguem ocorrendo normalmente em seus campi e unidades.
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