O delegado da Polícia Civil Luciano Menezes foi afastado de suas funções em Santa Cruz do Sul na quinta-feira (26), em cumprimento a mandado expedido após a abertura de investigações conduzidas pelo Ministério Público (MP) e pela Corregedoria da Polícia Civil. Os procedimentos, classificados como sigilosos, apuram possível desvio de recursos provenientes de uma associação local formada por empresários, chamada Grupo de Apoio à Polícia (GAP).

O MP confirmou o afastamento por meio de nota oficial, mencionando a confidencialidade das investigações, que tiveram início em novembro de 2024 a partir de denúncia apresentada por outro delegado da corporação. Durante o cumprimento do mandado, foi realizada a apreensão do telefone celular de Menezes, cujos dados serão analisados no contexto da apuração.
Segundo informações obtidas por fontes ligadas ao caso, o delegado teria acesso a cartões e contas vinculadas ao GAP, somando oito contas bancárias. A suspeita é de que parte dos recursos que deveriam ser destinados à estrutura policial da região não tenha sido devidamente repassada. O valor supostamente envolvido não foi divulgado.

Ao longo da investigação, 15 pessoas prestaram depoimentos às autoridades, tendo, de acordo com as fontes, confirmado os indícios do possível desvio. O principal crime sob análise é o de peculato, que se caracteriza pela apropriação indevida ou desvio de bens ou valores por servidor público em razão de sua função.
Luciano Menezes atua na Polícia Civil desde 1999 e já ocupou a função de diretor regional. Em abril de 2024, presidiu a Oktoberfest local. No início de 2025, foi removido da direção regional da Polícia Civil após manifestação durante audiência pública na Câmara de Vereadores de Venâncio Aires, em que criticou publicamente a estrutura e os repasses do Estado para a segurança pública.
A investigação segue em andamento sob responsabilidade do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) e da Promotoria de Justiça de Santa Cruz do Sul.