Levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indica que 27,2% dos estudantes brasileiros de 13 a 17 anos relataram ter sofrido bullying de forma recorrente em 2024. O dado integra a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense) e representa crescimento de 4,2 pontos percentuais em relação a 2019, quando o índice era de 23%.
De acordo com o estudo, 59,7% dos estudantes afirmaram não ter vivenciado situações de bullying nos 30 dias anteriores à pesquisa, enquanto mais de um quarto relatou episódios repetidos. O levantamento aponta maior incidência entre meninas: 30,1% disseram ter sido alvo de provocações ou humilhações, frente a 24,3% entre os meninos.
A pesquisa também identificou que 13,7% dos estudantes admitiram ter praticado bullying no período analisado. Entre eles, a prática foi mais frequente entre meninos (16,5%) do que entre meninas (10,9%).
Os dados indicam que características relacionadas à aparência concentram os principais motivos das agressões. A aparência do rosto ou cabelo foi mencionada por 30,2% das vítimas, seguida pela aparência corporal (24,7%) e por cor ou raça (10,6%). Outros fatores incluem vestuário e condições materiais (10,1%), forma de falar (8,9%), religião (7,1%) e gênero ou orientação sexual (6,4%).
O levantamento também abordou o cyberbullying. Em 2024, 12,7% dos adolescentes relataram ter sido alvo de agressões em ambientes virtuais. Entre as meninas, o percentual foi de 15,2%, enquanto entre os meninos ficou em 10,3%.
Na análise por regiões, o Sul apresentou o menor índice de vítimas frequentes, com 25,7%, e o maior percentual de estudantes que declararam não sofrer bullying (61,4%). Já o Sudeste registrou a maior proporção de casos recorrentes, com 28,1%. As regiões Norte (26,6%) e Nordeste (26,8%) ficaram abaixo da média nacional, enquanto o Centro-Oeste apresentou índice de 27,6%.
Segundo o IBGE, a ocorrência repetida de bullying pode impactar o desempenho escolar, a saúde mental e a convivência social dos estudantes. O levantamento também destaca o aumento de ações judiciais envolvendo casos de bullying e racismo em instituições de ensino entre 2020 e 2023.
A legislação brasileira passou a incluir, em 2024, a tipificação do bullying e do cyberbullying, com previsão de sanções, incluindo multa e pena de reclusão em casos de violência virtual.
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