A telefonista aposentada Dora Nunes, de 67 anos, foi uma das agraciadas com o Prêmio Carlos Nobre de Cultura, entregue na última segunda-feira (5) durante a 30ª Feira do Livro de Guaíba. O motivo da homenagem é a sua dedicação com a literatura, pois é a sócia mais antiga e assídua da Biblioteca Pública Darcy Berbigier.
Essa paixão vem de família. Ela começou olhando gibis e revistas de fotonovela. A história com os livros da cidade iniciou quando, após doze anos, resolveu voltar a estudar, no final da década de 70. A biblioteca era na antiga prefeitura, onde agora é o Museu Carlos Nobre. Desde lá, nunca mais parou sua rotina com a leitura.
Ela lê livros, jornais, revistas, seleções, Chico Bento, Turma da Monica, ficção. Gosta de tudo, lê por prazer, desde que a prenda. Há sempre três volumes na cabeceira de seu quarto. Entra no mundo de cada obra enquanto a outra história a espera.
Dora visita, em média, duas vezes ao mês que a biblioteca. Quando tem uma novidade de seu gosto recebe ligações das bibliotecárias. Elas falam: “Dora, tem um aqui que talvez te interessa, quer vir aqui pegar?”. São nessas obras que Dora conhece o mundo: “a minha leitura é conhecer os lugares que nunca visitei, mas que conheço pelas letras”.
Além de pegar uma obra emprestada, gosta do cheiro novo dos livros. Compra, folheia, cheira, lê e depois faz uma boa ação: doa para biblioteca. Alguns ficam em suas grandes estantes de sua casa. Além de seus companheiros de vida, Dora também gosta de fazer artes de crochê.