O governo do Rio Grande do Sul apresentou nesta sexta-feira (24), em Porto Alegre, um balanço das ações realizadas após as enchentes de 2024 e informou investimentos de R$ 14 bilhões em reconstrução e medidas de prevenção climática. Segundo o Executivo estadual, são 227 projetos e ações executados ou em andamento em diferentes regiões do Estado. A apresentação ocorreu no Centro Administrativo Fernando Ferrari (Caff), conduzida pelo governador Eduardo Leite e pelo vice-governador Gabriel Souza.
De acordo com o governo, os recursos integram o Plano Rio Grande, programa criado para recuperar áreas atingidas, ampliar estruturas de proteção e adaptar o Estado a eventos climáticos extremos. A projeção oficial é de concentrar, em 36 meses, intervenções equivalentes a 36 anos de evolução nos sistemas de defesa contra cheias.
Na área de proteção hídrica, o Estado informou R$ 502,9 milhões aplicados por meio do Fundo a Fundo Reconstrução. Desse total, R$ 232,9 milhões são destinados à modernização de 40 estações de bombeamento e R$ 166,2 milhões à recuperação de 23 quilômetros de diques. Também estão previstos serviços em 14 comportas e limpeza de 1,1 mil quilômetros de redes de drenagem, com R$ 67,9 milhões em hidrojateamento e novas tubulações.
Na Região Metropolitana, Porto Alegre e Canoas concentram mais de R$ 410 milhões. Na capital, foram citadas intervenções na Comporta 14 e no dique do Sarandi. Em Canoas, as obras envolvem casas de bombas e reconstrução de diques nos bairros Rio Branco e Mathias Velho, com previsão de entrega entre agosto e setembro deste ano.
Para Eldorado do Sul, município vizinho de Guaíba e fortemente atingido pelas enchentes, o governo informou previsão de R$ 531 milhões em estações de bombeamento e sistemas de pôlderes integrados à mobilidade urbana. Outros municípios, como Pelotas e Gravataí, também constam no pacote de investimentos em drenagem.
O governo anunciou ainda novo ciclo de obras estruturantes estimado em R$ 6,5 bilhões para bacias hidrográficas estratégicas. O maior valor, de R$ 2,5 bilhões, será destinado ao sistema do Arroio Feijó, em Porto Alegre e Alvorada. A Bacia do Sinos terá R$ 1,9 bilhão para sistemas de pôlderes e elevação de diques em dez cidades. Já a Bacia do Gravataí receberá R$ 450 milhões para proteção em pontos críticos e recuperação ambiental do Banhado Grande.
Na infraestrutura viária, o Estado informou R$ 3 bilhões autorizados para recuperação de 800 quilômetros de estradas, reconstrução de nove pontes e contenção de 222 encostas. Segundo o cronograma apresentado, 32 lotes foram aprovados, sendo 13 em execução, 12 com início previsto ainda em abril, cinco em maio e dois em junho.
Na Defesa Civil, o governo relatou ampliação do efetivo de 42 para 131 militares, além da incorporação de 32 técnicos especializados, como meteorologistas, geólogos e engenheiros. A frota passou de 23 para 94 veículos. Também foi citada a instalação de 130 estações hidrometeorológicas, cobertura de radar em todo o território gaúcho e operação permanente de centro de monitoramento.
Na área habitacional, o programa A Casa é Sua - Calamidade teve 2.723 moradias permanentes autorizadas em 56 municípios. Dessas, 176 unidades já foram entregues, conforme o Estado. Outras 625 moradias temporárias foram disponibilizadas em dez cidades para atendimento emergencial.
O governo também informou avanços no programa de desassoreamento, com R$ 300 milhões investidos e retirada de 7 milhões de metros cúbicos de sedimentos. Segundo os dados divulgados, 145 municípios concluíram obras, 56 mantêm frentes de trabalho e 31 aguardam início das intervenções.
Na dragagem do Guaíba e ligação com a Lagoa dos Patos, o Estado informou remoção de 2,4 milhões de metros cúbicos de sedimentos, com previsão de retirada adicional de 1,8 milhão. O trecho total atendido soma 286 quilômetros de hidrovia interior.
Durante a apresentação, o Executivo estadual também informou que estudos batimétricos no Delta do Jacuí indicaram estabilidade da profundidade do leito em comparação com levantamentos anteriores. O diagnóstico definitivo, segundo o governo, dependerá da conclusão das análises técnicas em andamento.
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