Brendo Silva, ex-seminarista de 33 anos e pesquisador em sexualidade e religião, está no centro de uma polêmica após lançar o livro A Vida Secreta dos Padres Gays. Na obra, ele relata ter mantido relações sexuais com um bispo católico que atuava no Vale do Paraíba antes de ser transferido para o Amazonas. O encontro, segundo Brendo, foi marcado via Facebook entre 2016 e 2017 e terminou em um motel após um jantar em uma churrascaria.

Além desse caso, o autor revela a existência de uma rede secreta de padres e seminaristas que organizavam festas privadas em um sítio em São José do Rio Pardo, interior de São Paulo. Os eventos seriam marcados por interações sexuais entre religiosos — muitos dos quais condenam publicamente a causa LGBTQIA+.
Brendo também afirma ter sido assediado por um arcebispo em 2013, ainda durante sua formação no seminário. “Ele pedia fotos minhas sem camisa e elogiava os registros”, conta. Natural do Pará e criado em uma família católica, ele estudou em Paris e deixou a Igreja por vontade própria, mantendo até hoje cartas de recomendação de padres. “Saí de cabeça erguida. E isso é o que mais incomoda eles”, afirma.

O livro traz à tona temas delicados como hipocrisia institucional, repressão sexual e os bastidores da Igreja Católica raramente expostos ao público.