Aliados do governo federal reagiram às declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre a possibilidade de cooperação com os Estados Unidos na exploração de minerais críticos, incluindo terras raras. As manifestações ocorreram após discurso do parlamentar em evento realizado no exterior.
No sábado (28), durante participação na Conservative Political Action Conference (CPAC), nos Estados Unidos, o senador afirmou que o Brasil pode contribuir para reduzir a dependência norte-americana em relação à China na obtenção desses recursos. Ele também mencionou que o país pode assumir papel relevante no cenário internacional relacionado a minerais estratégicos.
A fala foi alvo de críticas por integrantes do governo. O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), afirmou que a declaração representa risco à soberania nacional e questionou o conteúdo apresentado pelo senador. Em publicação nas redes sociais, ele associou a fala a interesses externos e criticou a postura do parlamentar.
A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, também se manifestou, afirmando que o discurso sinaliza aproximação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo ela, houve críticas ao conteúdo das declarações e ao posicionamento adotado durante o evento.
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, classificou o episódio como relevante no contexto político atual e relacionou a fala ao cenário das eleições presidenciais de 2026. Ele afirmou que a declaração envolve discussões sobre apoio internacional e recursos estratégicos.
No Congresso, o vice-líder do governo, Lindbergh Farias (PT-RJ), declarou que há preocupação com possíveis impactos sobre a autonomia do país. Já o deputado Pedro Campos (PSB-PE), também integrante da base governista, comparou o episódio com discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), realizado em Bogotá, no qual foi defendido maior protagonismo regional nas cadeias produtivas de minerais críticos.
As manifestações refletem divergências entre governo e oposição sobre a condução de temas ligados a recursos naturais, política externa e estratégias econômicas no contexto eleitoral.
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