A Polícia Civil concluiu na quinta-feira (9) o inquérito sobre Adir Aliatti, 70 anos, fundador da comunidade Osho Rachana, localizada em Cantagalo, Viamão. Rebatizado Prem Milan, Aliatti foi indiciado por 13 crimes, entre eles tortura, charlatanismo, violência sexual mediante fraude e crimes financeiros. Seus filhos, André Blos Aliatti e Amanda Blos Aliatti, também respondem pelos mesmos delitos. O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público, que decidirá se apresentará denúncia formal.

Segundo a investigação, cerca de 40 pessoas teriam sido vítimas das práticas da comunidade, e o desvio de recursos chegou a R$ 20 milhões, com prejuízos adicionais de R$ 4 milhões em operações realizadas no local. Parte dos recursos teria sido usada para viagens de luxo e apostas online. A Polícia Civil informou que a comunidade cobrava pacotes de imersão entre R$ 8 mil e R$ 12 mil, além de mensalidades, e exigia empréstimos bancários de seguidores, supostamente desviados para benefício próprio.
As práticas investigadas incluíam meditações, sexo livre, suposta “cura gay” e outras atividades, que, de acordo com os depoimentos, eram apresentadas como terapias bioenergéticas alternativas. Produtos cultivados e produzidos na comunidade, como pães e agendas, eram comercializados na região, sob coordenação do grupo. Um vídeo obtido pela polícia mostra Aliatti conversando sobre sexo com uma criança, enquanto o menor relata ter presenciado cenas de atos sexuais no local.
Aliatti e os filhos permanecem em liberdade com tornozeleira eletrônica, entregaram passaportes e têm restrição de contato com as vítimas. Os pedidos de prisão preventiva foram indeferidos pelo Judiciário.
A comunidade Osho Rachana foi fundada em 2005 em uma área rural de 42 hectares, com cerca de cem moradores em seu auge, incluindo brasileiros e estrangeiros. Ao longo dos anos, o número de integrantes diminuiu gradativamente.
O Ministério Público agora avaliará a apresentação da denúncia formal com base no indiciamento e nas provas reunidas.

Crimes apontados: Associação criminosa, tortura psicológica, crime contra a economia popular, redução à condição análoga à de escravo, estelionato, violência sexual mediante fraude, satisfação de lascívia mediante presença de criança ou adolescente, exposição de criança ou adolescente a vexame ou constrangimento, falsificação e realização de procedimentos terapêuticos sem autorização, charlatanismo, curandeirismo, impedimento à convivência familiar e social, injúria racial.
As defesas de Adir Aliatti e dos filhos afirmaram que ainda não tiveram acesso integral aos relatórios da polícia e que aguardam o andamento do processo para apresentar manifestações e exercer o direito à ampla defesa.